Com corte incerto, Copom decide a taxa básica de juros nesta ‘superquarta’
Mercado segue apostando em um corte na Selic, mas duração do ciclo gera dúvidas nos analistas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide, nesta quarta-feira (17), os rumos da política monetária brasileira, em meio a um cenário de piora nas projeções da inflação em 2026 e do cenário fiscal. O mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa básica de juros (Selic), levando o intervalo de 14,5% ao ano para 14,25% ano, mas o tom do comunicado do colegiado ainda gera dúvidas.
Segundo o boletim Focus de segunda-feira (15), a continuidade do afrouxamento na política monetária é certa, mas o ciclo pode ser menor do que era previsto no início do ano. Pela segunda semana seguida, o relatório consta um aumento na projeção da Selic para o fim do ano, de 13,5% na divulgação da semana passada, para 13,75%.
Para a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, o cenário da semana é favorável para um corte da Selic com o barril de petróleo próximo de US$ 80, retornando a patamares anteriores ao fechamento do Estreito de Ormuz e a guerra entre Estados Unidos e Irã. O contexto geopolítico provocou uma disparada no preço dos combustíveis e pressionou a inflação.
“O Copom deve cortar a Selic na reunião desta quarta-feira e pode deixar em aberto o comunicado. Porém, os próximos passos vão depender do cenário, se confirmado, de inflexão na inflação e as expectativas para 2027 e 2028 sem mudança”, projetou a economista.
Já o especialista de renda fixa do Inter, Rafael Winalda, avalia que o mercado financeiro atravessa um período de elevada volatilidade e incerteza, reflexo de um cenário global ainda complexo, ruídos fiscais domésticos e dados econômicos que seguem pressionando as expectativas.
“Nesse ambiente, as apostas para a reunião desta semana permanecem divididas, mas o time de Macro do Inter avalia que o Copom deve entregar uma queda de 0,25 p.p. na Selic, um movimento mais cauteloso, que sinaliza atenção à dinâmica inflacionária antes de acelerar o ritmo de afrouxamento”, destacou.
Superquarta

A quarta-feira também será marcada pela decisão de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (o banco central americano). Por lá, os diretores do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) devem manter a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75% pela quarta vez seguida, de acordo com as expectativas no mercado. A coincidência entre as reuniões no Brasil e nos EUA é chamada de “Superquarta”.
Será a primeira reunião do Fed sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. Mesmo com a pressão do republicano, o colegiado não deve promover nenhuma surpresa na decisão, mas o mercado está atento ao tom do comunicado do Fed. Cabe lembrar que investidores ainda apostam em uma alta nos juros nos EUA em 2026.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



