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Entidades defendem corte na Selic, mas alertam para patamar ainda elevado

Corte ocorre em meio a uma aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) causado pela alta no preço dos combustíveis

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Banco Central alegou comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do Conglomerado
Sede do Banco Central em Brasília • Antonio Cruz/Agência Brasil

Entidades representativas dos setores produtivos defenderam o corte na taxa básica de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) nesta quarta-feira (29). A decisão do colegiado reduziu pela segunda vez a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p), levando a 14,50% ao ano.

O corte ocorre em meio a uma aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) causado pela alta no preço dos combustíveis, uma das consequências da guerra no Oriente Médio no preço do barril do petróleo. No comunicado, o Copom disse que tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevada volatilidade de preços.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende cortes mais contundentes na taxa de juros. Segundo a entidade, a manutenção da Selic em patamares restritivos deve aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, com “impactos negativos sobre a geração de emprego e renda”, especialmente em um cenário de incertezas.

“A entidade reconhece a importância do controle inflacionário como pilar fundamental para a estabilidade econômica, mas manifesta preocupação com os efeitos negativos de um patamar elevado de juros por um período prolongado. As projeções do boletim Focus indicam revisão para cima das expectativas para a taxa Selic ao fim de 2026 e apontam que ela deve permanecer em dois dígitos, portanto, em nível restritivo, ao menos até 2028”, disse.

O presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Cledorvino Belini, disse que a medida, embora positiva, ainda é insuficiente diante do atual cenário econômico. Segundo ele, o problema central permanece: as dificuldades de controle fiscal por parte do governo federal.

“Aliado a expansão do crédito temos como consequência mais de 70% da população endividada. É um círculo vicioso que não fecha. Precisamos, de fato, encerrar o ciclo da gastança”, declarou o empresário.

Já para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, Marcelo Souza e Silva, a decisão do BC impacta positivamente as atividades econômicas, ainda que o cenário continue desafiador. Ele afirma que a medida sinaliza para o compromisso da autoridade monetária em controlar a inflação sem prejudicar o desenvolvimento econômico.

Ainda segundo o dirigente, a redução da taxa é fundamental para que a geração de renda e postos de trabalho permaneçam aquecidos em um ano atípico. “Estamos em um ano de eleições gerais no país, Copa do Mundo e as projeções indicam um crescimento discreto da nossa economia, ficando abaixo da média esperada para a América Latina. Logo, essa nova redução surge como um bom sinal diante de cenários complexos”, declarou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.