Economia brasileira cresceu 0,7% em maio, diz monitor da FGV
Levantamento da Fundação Getúlio Vargas mostra bom desempenho da economia, mas coordenadora da pesquisa alerta para arrefecimento da atividade

A economia brasileira teve um crescimento de 0,7% em maio, se comparada com abril (-0,1%), segundo levantamento do Monitor do PIB do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre) divulgado nesta segunda-feira (20). O bom desempenho é impulsionado pelo consumo das famílias, que no trimestre atingiu o maior patamar desde 2024.
Segundo a FGV, na ótica da demanda, o consumo cresceu 3,3%. Todos os tipos de consumo cresceram no período, com destaque principal para serviços e bens duráveis, que mantiveram sua trajetória de alta e contribuíram com mais de 60% para o resultado positivo geral.
Segundo a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, embora a economia siga em crescimento, há sinais importantes de arrefecimento na atividade. Ela explica que o resultado também foi segurado pelas taxas de variação positivas na agropecuária e no setor de serviços, considerando uma estabilidade na indústria.
“Apesar desse bom desempenho da economia no mês, nota-se algumas fragilidades na composição: o crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano. Na demanda, a concentração do crescimento no consumo das famílias mostra dependência deste componente, uma vez que as exportações e os investimentos mostraram quedas”, disse.
Em termos de valores, a FGV estima que o PIB acumulado até maio de 2026, em valores correntes, tenha sido de R$ 5,46 trilhões. Se comparado com o mesmo mês de 2025, a economia teve um crescimento de 1,2%. Já no comparativo entre trimestre, o crescimento é de 1,9%.
Exportações tiveram o menor crescimento desde julho de 2025
O relatório revela que as exportações brasileiras cresceram 4,3% no trimestre móvel encerrado em maio. Apesar de positivo, esse foi o pior resultado para o indicador desde o segundo trimestre de 2025 (4,8%). As exportações de serviços, bens de capital e bens de consumo foram os principais destaques.
As exportações da indústria extrativa mineral registraram um crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano, o que explica a redução do crescimento das exportações.
Já pelo lado das importações, houve um crescimento de 8,9% no período, o maior desde março de 2025 (9,2%). Nesse caso, o crescimento mais robusto deveu-se às importações de serviços e bens de consumo, com destaque para as telecomunicações, computação e informações.
Já o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de 2% no trimestre. Segundo o estudo, o resultado mostra um fortalecimento consistente nos últimos anos, explicado em grande parte pelo crescimento dos investimentos em tecnologia e serviços de informações. As contribuições dos segmentos de máquinas e equipamentos e construção também foram positivas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



