Itatiaia

Economia brasileira cresceu 0,7% em maio, diz monitor da FGV

Levantamento da Fundação Getúlio Vargas mostra bom desempenho da economia, mas coordenadora da pesquisa alerta para arrefecimento da atividade

Por
Abono salarial de abril será pago no dia 16
Estima-se que o PIB acumulado até maio de 2026, em valores correntes, tenhasido de 5,466 trilhões de Reais. • Marcello Casal Jr/Agência Brasi

A economia brasileira teve um crescimento de 0,7% em maio, se comparada com abril (-0,1%), segundo levantamento do Monitor do PIB do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre) divulgado nesta segunda-feira (20). O bom desempenho é impulsionado pelo consumo das famílias, que no trimestre atingiu o maior patamar desde 2024.

Segundo a FGV, na ótica da demanda, o consumo cresceu 3,3%. Todos os tipos de consumo cresceram no período, com destaque principal para serviços e bens duráveis, que mantiveram sua trajetória de alta e contribuíram com mais de 60% para o resultado positivo geral.

Segundo a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, embora a economia siga em crescimento, há sinais importantes de arrefecimento na atividade. Ela explica que o resultado também foi segurado pelas taxas de variação positivas na agropecuária e no setor de serviços, considerando uma estabilidade na indústria.

“Apesar desse bom desempenho da economia no mês, nota-se algumas fragilidades na composição: o crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano. Na demanda, a concentração do crescimento no consumo das famílias mostra dependência deste componente, uma vez que as exportações e os investimentos mostraram quedas”, disse.

Em termos de valores, a FGV estima que o PIB acumulado até maio de 2026, em valores correntes, tenha sido de R$ 5,46 trilhões. Se comparado com o mesmo mês de 2025, a economia teve um crescimento de 1,2%. Já no comparativo entre trimestre, o crescimento é de 1,9%.

Exportações tiveram o menor crescimento desde julho de 2025

O relatório revela que as exportações brasileiras cresceram 4,3% no trimestre móvel encerrado em maio. Apesar de positivo, esse foi o pior resultado para o indicador desde o segundo trimestre de 2025 (4,8%). As exportações de serviços, bens de capital e bens de consumo foram os principais destaques.

As exportações da indústria extrativa mineral registraram um crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano, o que explica a redução do crescimento das exportações.

Já pelo lado das importações, houve um crescimento de 8,9% no período, o maior desde março de 2025 (9,2%). Nesse caso, o crescimento mais robusto deveu-se às importações de serviços e bens de consumo, com destaque para as telecomunicações, computação e informações.

Já o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de 2% no trimestre. Segundo o estudo, o resultado mostra um fortalecimento consistente nos últimos anos, explicado em grande parte pelo crescimento dos investimentos em tecnologia e serviços de informações. As contribuições dos segmentos de máquinas e equipamentos e construção também foram positivas.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

Belo Horizonte