Durigan aposta em reaproximação com os EUA após eleições no Brasil
Ministro da Fazenda vê crise como pontual e defende retomada do diálogo comercial

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17) que espera uma retomada do diálogo e das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após as eleições de outubro. Para o ministro, apesar da crise atual, os problemas entre os dois países são pontuais e não devem impedir uma reaproximação no futuro.
A declaração ocorre em meio ao agravamento das relações entre Brasília e Washington, marcado pela aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e por divergências políticas e diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Durante evento com representantes do mercado financeiro, Durigan afirmou que o Brasil mantém uma postura firme diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos e defendeu que o país não deve abrir mão de seus interesses para tentar solucionar o impasse.
O ministro também avaliou que a atual situação não representa necessariamente uma ruptura permanente entre os dois países. Segundo ele, questões comerciais e econômicas podem voltar a ser discutidas de maneira mais ampla depois do período eleitoral.
As relações entre Brasil e Estados Unidos foram afetadas principalmente pela política tarifária do governo Trump. As medidas norte-americanas atingem produtos brasileiros e levaram o governo Lula a discutir mecanismos de reciprocidade comercial.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira que a aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser encarada como uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o governo brasileiro ainda busca uma solução negociada para o impasse.
A avaliação de Durigan segue essa linha de defesa do diálogo. O ministro já havia afirmado anteriormente que o Brasil continua aberto a negociações com os Estados Unidos e que o governo pretende discutir a reversão das tarifas em fóruns internacionais, incluindo o G20.
Além do comércio, a relação entre os dois países passou a envolver questões políticas. O governo de Donald Trump tem feito críticas a decisões de instituições brasileiras e, mais recentemente, voltou a avaliar a possibilidade de aplicar novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A possibilidade de novas medidas aumenta a tensão diplomática e dificulta uma solução rápida para o conjunto dos conflitos entre Brasília e Washington.
Apesar disso, Durigan considera que os interesses econômicos dos dois países podem favorecer uma reaproximação. O ministro argumenta que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial relevante e que divergências atuais não necessariamente precisam se transformar em um rompimento de longo prazo.
Para Durigan, a eleição brasileira e o cenário político dos Estados Unidos devem influenciar o ambiente das negociações. A expectativa do ministro é que, passado o período eleitoral, haja espaço para uma retomada do diálogo e para a reconstrução da relação comercial entre os dois países.
Enquanto isso, o governo Lula mantém a pressão diplomática e econômica contra as tarifas americanas, mas evita tratar a atual crise como uma ruptura definitiva na relação entre Brasil e Estados Unidos.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



