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Brasil pode perder investimento de R$ 10 bilhões no setor do aço se país não frear importações

Segundo o CEO da ArcelorMittal Aços Longos, a expectativa do setor é de que o governo não só mantenha a elevação de impostos de importação como proponha novas medidas contra “concorrência desleal”

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Com o aumento das importações, a ArcelorMittal Brasil vem se adequando aos volumes de produção de aço de acordo com a demanda
Com o aumento das importações, a ArcelorMittal Brasil vem se adequando aos volumes de produção de aço de acordo com a demanda • arcelormittal/ reprodução

Termina em 31 de maio deste ano a medida do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que elevou para 25% o Imposto de Importação para 11 tipos de produtos de ferro e de aço. O reajuste, um pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel), visa minimizar o que a entidade considera concorrência desleal dos produtos importados.

Com a proximidade desse prazo, a expectativa do setor do aço é de que o governo brasileiro não apenas renove a medida, que tem como objetivo limitar a entrada de aço importado no país, como "avance na adoção de alternativas mais eficazes".

A análise é de Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam e Mineração Brasil, que acredita que o sistema de cota tarifa, infelizmente, não se mostrou suficiente na contenção das importações.

Segundo o Instituto Aço Brasil, as importações cresceram 30% no primeiro trimestre desse ano, comparado com o mesmo trimestre do ano passado. O ano de 2023 já tinha tido um crescimento em relação a anos anteriores.

Segundo Negresiolo, nesse ritmo, a expectativa é de um “crescimento de 75% na comparação com a média anual de 2020 a 2022", que já era superior à média histórica.

Essa alta é atribuída ao aço vindo da Ásia, que chega a preços abaixo do custo de produção. "Todo o setor do aço está sendo diretamente impactado pelo crescimento vertiginoso de uma importação que consideramos desleal e com preços que claramente caracterizam o dumping [a comercialização de produtos a preços abaixo do custo de produção]."

Investimento em Minas

O cenário atual tem impacto direto na produção, e a ArcelorMittal Brasil vem adequando volumes de produção de aço à demanda. “Até o momento, as unidades operam normalmente com uma taxa de utilização aceitável, mas algumas em ritmo abaixo das suas capacidades”.

No entanto, a preocupação é clara: “se essa situação persistir, os nossos programas de investimento precisarão ser revistos, e algum ajuste adicional nos volumes de produção pode ser necessário e, consequentemente, a taxa de utilização das usinas”.

Competição predatória

Everton avalia que a indústria do aço chegou no "limite" devido à "competição predatória" no mercado global, que se agrava pela situação das tarifas dos Estados Unidos, gerando um risco de desvio de comércio. O impacto pode afetar muitos outros setores: "As consequências podem, ainda, ser mais graves para indústria e para o Parque Nacional, não somente no aço, mas na indústria como um todo".

"Abrir mão da indústria nacional é abrir mão de empregos de qualidade, impostos, desenvolvimento social, desenvolvimento das comunidades ao redor das operações industriais", afirmou.

Na visão dele, o diálogo é o melhor caminho junto aos outros países. "Defendemos o retorno ao regime anterior de hardcota [istema de cotas de importação, onde o volume de produtos importados é limitado a um determinado nível], que foi adotado em 2018 e que consideramos ter sido extremamente benéfico tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil".

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.