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Banco Central faz o primeiro corte na Selic em 2026; taxa fica em 14,75%

Copom confirmou corte na taxa básica de juros, mas redução foi impactada pela incerteza da guerra no Oriente Médio

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Corte foi de 0,25 p.p na taxa básica de juros • Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) promoveu o primeiro corte da Selic em 2026, nesta quarta-feira (18). A medida do colegiado leva a taxa básica de juros de 15%, patamar que havia sido fixado em junho do ano passado, para 14,75% ao ano - uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p) nos juros de referência.

O corte ocorreu em linha com o esperado pelo mercado financeiro, segundo levantamento do Boletim Focus da última segunda-feira (16). Porém, é um ajuste das expectativas em razão dos possíveis efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que tem causado uma disparada no preço do petróleo e volatilidade no mercado de combustíveis.

Até algumas semanas atrás, o mercado financeiro dava como certo um corte de 0,5 p.p na Selic, mas o cenário de pressão inflacionária foi alterado pela incerteza causada na economia pelo conflito. A política monetária busca levar a inflação para o centro da meta de 3%, considerando ainda o intervalo de tolerância de 1,5 p.p para mais ou para menos.

O ciclo de baixa na Selic foi sugerido pelo próprio Copom na reunião de janeiro, afirmando que, se o cenário de inflação menor e transmissão da política monetária se confirmasse, a flexibilização poderia iniciar agora em março. Contudo, o cenário não se confirmou conforme o esperado pelos diretores do BC.

O Focus de segunda-feira mostrou uma elevação nas expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, de 3,91% na semana passada, para 4,10%. O ajuste dos economistas do mercado ocorre em resposta ao aumento de R$ 0,38 no preço do diesel puro anunciado pela Petrobras na semana passada.

A estatal petrolífera brasileira reagiu à disparada no preço do barril de petróleo para mais de US$ 100. A volatilidade é causada tanto pelos ataques iranianos, quanto pelo controle da República Islâmica no estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo comercializado no mundo.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o conflito está provocando a maior interrupção no fornecimento de petróleo na história, com a queda na oferta global em 8 milhões de barris por dia.

Segundo o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), os impactos do petróleo podem ser grandes. “O petróleo influencia o preço dos combustíveis, que é a porta de entrada da inflação. Mas o espalhamento das pressões inflacionárias vão muito além do que a gente percebe em um possível encarecimento do diesel e da gasolina”, explicou em entrevista à Itatiaia.

Segundo a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, o aumento na cotação do petróleo é parcialmente compensado pela queda do dólar. A depreciação da moeda norte-americana ocorre porque o Brasil é exportador da commodity.

“Ainda assim esperamos uma alta pontual dos combustíveis nos próximos meses. Tal elevação, considerando o atual patamar do petróleo em $90, estaria dentro do intervalo da meta, que existe justamente para absorver choques temporários”, disse Vitória.

Para o ano, a especialista ressaltou uma expectativa de corte de 3,00 p.p, com a Selic terminando 2026 em 12%. Ainda de acordo com ela, a redução nos juros poderá ser menor caso haja um impacto mais prolongado na inflação e uma deterioração do risco fiscal.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.