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Banco Central dos EUA mantém juros inalterados, mas três diretores votam por aumento

Diretores do Federal Reserve mantiveram os juros no intervalo de 3,5% a 3,75%, mas sinalizam para aumento na próxima reunião

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O presidente do Fed, Kevin Warsh
O presidente do Fed, Kevin Warsh • Baran_Sevim_Federal_Reserve_BoG

O Federal Reserve (Fed) decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros inalterada no intervalo de 3,5% a 3,75%. Apesar de ser esperada pelo mercado, a medida veio acompanhada de uma divisão dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto, onde 3 diretores da autoridade monetária norte-americana votaram para aumentar os juros em 0,25 ponto percentual (p.p).

Em uma nota sucinta, diferente do que era visto nas últimas reuniões do Fed, o colegiado explica que a atividade econômica dos EUA continua se expandindo em um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza com o conflito no Oriente Médio.

“O crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação”, diz a nota divulgada pelo Fed.

Contudo, a inflação permanece elevada em relação à meta de 2%, refletindo o choque de oferta e o aumento de preços, principalmente no setor de energia, mais impactado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. “O Comitê buscará a estabilidade de preços”, completa.

Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.

Mercado precifica alta em setembro

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, é a primeira vez desde 2016 em que três membros do Fed divergem na mesma direção, mostrando uma discordância crescente dentro do comitê, cada vez mais preocupado com a dinâmica inflacionária nos EUA.

“Hoje, o mercado precifica quase certamente uma alta em setembro, mas a dinâmica inflacionária até lá será determinante para o próximo passo do Fed. Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo rondando os US$100, podemos ver a inflação não ceder o suficiente, o que poderia levar mais membros do FOMC a votar por uma alta na próxima reunião”, explicou o especialista.

Para a economista e sócia da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, o comunicado do Fed mostra uma preocupação forte com a inflação. Segundo a especialista, o mercado agora aguarda direcionamentos do presidente do Fed, Kevin Warsh, enquanto a autoridade monetária norte-americana ainda segue preocupada com o balanço de riscos relacionado ao aumento dos custos de energia e as novas tarifas em foco.

“O ponto é entender o quão duro ele vai vir em relação a essas perspectivas. Lembrando que essa reunião também deve dar alguma indicação sobre as projeções econômicas futuras, e isso vai calibrar, nos próximos dias, a expectativa do mercado em relação à trajetória de juros lá fora e, consequentemente, deve impulsionar também”, declarou.

De acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o comunicado reforça a expectativa de elevação da taxa de juros, a não ser que o choque de preços seja endereçado para setores específicos. “O comunicado foi praticamente idêntico ao da reunião anterior, incluindo o trecho em que o comitê se compromete em entregar estabilidade de preços”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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