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Banco Central dos EUA decide hoje nova taxa de juros com clima de incerteza

Com a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, não há um grande consenso entre o mercado sobre o que será decidido

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O novo presidente do Fed, Kevin Warsh
O novo presidente do Fed, Kevin Warsh • Baran_Sevim_Federal_Reserve_BoG

O Comitê Federal de Mercado Aberto dos Estados Unidos (FOMC, na sigla em inglês) decide nesta quarta-feira (28) os rumos da política monetária norte-americana. O principal colegiado do Federal Reserve (Fed) chega para a sua decisão mais imprevisível desde 2024, mas com um cenário econômico mais favorável do que o observado nos últimos meses, segundo expectativas do mercado financeiro.

Com a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, não há um grande consenso entre o mercado sobre o que será decidido. De acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, uma das maiores bolsas de derivativos do mundo, 68,5% esperam a manutenção dos juros na reunião, enquanto 31,5% projetam uma alta de 0,25 pontos percentuais (p.p)

Nas últimas reuniões, o mercado demonstrava um consenso superior a 90% para a manutenção dos juros no atual patamar. Essa incerteza ocorre em um cenário em que os indicadores mostram um cenário de desinflação, com uma queda de 0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI) em junho, mas o índice de preços de gastos com consumo (CPE) avançou 4,6% no primeiro trimestre, bem acima da meta de 2%.

Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.

Especialistas destacam incerteza

Segundo Bruno Issa, Sales de Renda Variável da InvestSmart XP, a incerteza reflete uma mudança de postura sob a nova presidência do Fed com Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. O especialista destaca que, historicamente, o Banco Central norte-americano evita surpreender o mercado, utilizando discursos coordenados e até vazamentos controlados para alinhar as expectativas.

“Warsh parece romper deliberadamente com essa tradição. Em sua primeira decisão à frente do Fed, ele foi enfático ao afirmar que o combate à inflação é prioridade, mas evitou sinalizar o caminho ou o ritmo das próximas ações. O resultado é um mercado precificando cenários sem uma direção clara vinda do próprio Banco Central. O risco dessa abordagem não é trivial. Decisões mal comunicadas tendem a gerar reações mais intensas nos mercados de juros, câmbio e ações”, explica.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, ainda que a manutenção dos juros seja o caminho mais esperado, o mercado vai prestar atenção em três pontos: o tom do comunicado em relação ao texto anterior, além da possibilidade de divergências entre os membros do comitê sobre a condução dos juros.

“O terceiro é o tom de Warsh na coletiva de imprensa, já que um discurso mais duro no combate à inflação pode reforçar a leitura de que uma alta está próxima, ainda que não ocorra já nesta reunião. Vale lembrar que esta não é uma reunião com divulgação do dot plot, o que dá ainda mais peso à comunicação do Fed como sinalizador para os próximos passos”, ressalta o especialista.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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