Banco Central dos EUA mantém juros inalterados e revela preocupação com guerra
Decisão do Federal Reserve desta quarta-feira (29) era esperada pelo mercado financeiro, uma vez que guerra no Irã elevou o preço dos combustíveis

Os diretores do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiram manter a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, nesta quarta-feira (29). A medida já era esperada pelo mercado financeiro, uma vez que o aumento global no preço dos combustíveis em razão da guerra no Oriente Médio diminui a margem de cortes.
Assim como no Brasil, a política monetária tem como objetivo alcançar uma meta de inflação enquanto mantém os níveis de emprego elevados. Nesse caso, o Fed persegue uma meta de 2% no longo prazo - atualmente, o índice de preços nos Estados Unidos está em 2,8% e o desemprego em 4,3%.
“Indicadores recentes sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido. A criação de empregos tem permanecido baixa, em média, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses. A inflação está elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais da energia”, disse o comunicado do Fed.
Segundo a autoridade monetária, a guerra no Oriente Médio contribui para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. A decisão ainda ressalta que o Fed poderá ajustar a política monetária caso surjam novos riscos que possam impedir o alcance das metas de inflação e emprego.
Essa foi possivelmente a última reunião do Fed conduzida pelo presidente Jerome Powell, que manteve duros embates com Donald Trump ao longo do último ano. O republicano pressionava a autoridade monetária para realizar cortes contundentes na taxa de juros, chegando a ameaçar demitir diretores e ofender o chefe do banco central.
O economista sênior do Banco Inter, André Valério, o comunicado chama atenção pela dissidência de três diretores que, apesar de apoiarem a manutenção da taxa, não apoiaram a inclusão de um viés de baixa no comunicado. “Indicando uma divergência entre os membros do comitê, com alguns se mostrando mais preocupados com o choque inflacionário do petróleo”, disse.
“Com a incerteza do conflito pairando sobre a inflação e a atividade econômica, não vemos margem para novos cortes nos juros no curto prazo, mas vemos espaço para mais um ou dois cortes no 2º semestre, caso o conflito seja solucionado”, completou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



