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Nath Fiuza | Libertadores: Cruzeiro precisa fazer valer tropeço do Boca Juniors

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Coluna da Nath Fiuza
Coluna da Nath Fiuza • Itatiaia

Às onze da noite, em Santiago, o Cruzeiro entra em campo para enfrentar a Universidad Católica. No papel, é apenas a quarta rodada da fase de grupos da Libertadores. Na prática, é o tipo de jogo que começa a mostrar quem realmente tem condições de brigar pelo título até o final.

Cruzeiro e Universidad chegam empatados com seis pontos, brigando pela liderança. Mas existe uma diferença importante: o time celeste tem mais qualidade técnica e, por isso, precisa se impor dentro de campo, validando seu favoritismo. É jogo de máxima responsabilidade, onde só a vitória interessa.

O torcedor entendeu isso antes de todo mundo. Mesmo vendo o time ser atropelado pelo Atlético no Mineirão, no último fim de semana, escolheu apoiar. Cantou, empurrou e deixou um recado claro: na Libertadores precisa ser diferente. O ambiente criado pela arquibancada foi um voto de confiança para um time que saiu devendo muito no sábado.

E a quarta-feira amanheceu ainda mais favorável ao Cruzeiro. A derrota do Boca Juniors para o Barcelona de Guayaquil, no Equador, transformou o cenário do grupo. O que já era um jogo importante virou uma oportunidade de ouro. Se vencer em Santiago, o Cruzeiro assume a liderança isolada da chave e muda completamente sua rota na competição.

Mais do que os três pontos, a vitória hoje significaria controle. Significaria chegar à Argentina, na quinta rodada, podendo administrar um empate contra o Boca, tendo ainda um último jogo em casa, contra o adversário mais fraco da chave.

Num grupo tratado desde o sorteio como o “grupo da morte”, terminar em primeiro não é detalhe: é evitar cruzamentos mais pesados, decidir mata-mata no Mineirão e, principalmente, mandar um recado ao continente de que o Cruzeiro voltou a ser competitivo de verdade.

Há ainda um peso importante pensando a continuidade da temporada. Depois da partida no Chile, o Cruzeiro encara uma sequência que pode definir o rumo do ano: Bahia e Palmeiras pelo Brasileirão — competição em que o time voltou a se aproximar perigosamente da zona de rebaixamento — além do confronto decisivo contra o Goiás pela Copa do Brasil. Vencer hoje é também ganhar fôlego para as demais competições.

Mas existe algo ainda mais urgente: a necessidade de resposta após a derrota no clássico. Cruzeiro foi dominado pelo Atlético e pareceu pequeno num jogo que demandava grandeza. Isso cobra uma reação imediata.

A partida desta noite vale liderança, encaminhamento de classificação e tranquilidade para a sequência da temporada. Mas vale também algo que o torcedor acompanha com atenção desde a chegada de Arthur Jorge: a confirmação de que o time realmente tem evoluído.

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Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.