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Data Fifa: treino em alta, elenco em baixa

O Brasileiro parou. E, no nosso calendário sufocado, quase 10 dias sem jogos não são apenas uma pausa: são um luxo

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Coluna da Nath Fiuza
Coluna da Nath Fiuza • Divulgação/Itatiaia

40 jogadores da Série A foram convocados para a atual Data Fifa — a última antes da definição dos nomes que disputarão a Copa do Mundo. Só a Seleção Brasileira levou cinco atletas de quatro clubes diferentes: Hugo Souza (Corinthians), Danilo e Léo Pereira (Flamengo), Danilo (Botafogo) e Kaiki Bruno (Cruzeiro).

Desta vez, diferentemente de outros momentos, o Campeonato Brasileiro parou. E, no nosso calendário sufocado, quase 10 dias sem jogos não são apenas uma pausa: são um luxo. Uma espécie de intertemporada improvável.

Para os treinadores, é o cenário ideal. Tempo para corrigir falhas, propor treinos específicos, testar variações táticas, observar melhor o elenco e recuperar jogadores. Para os atletas, a chance rara de respirar — física e mentalmente.

Se houve troca recente de comando, então, o benefício é ainda maior. É o tempo que normalmente falta para transformar discurso em prática. É o momento ideal para implementar as ideias de jogo. É o que Arthur Jorge, por exemplo, tenta aproveitar agora no Cruzeiro.

Mas a Data Fifa sempre tem o seu preço. O mesmo período que oferece tempo de qualidade no dia a dia, também retira peças fundamentais. Porque, geralmente, quem é convocado é titular, é protagonista, é parte estruturante do time. E treinar sem esses jogadores é, inevitavelmente, treinar pela metade.

Palmeiras e Flamengo foram os que mais cederam atletas: oito e sete, respectivamente. O Atlético aparece na sequência, com cinco convocados. Mas, a meu ver, é o Galo quem mais sente o impacto.

Isso porque precisamos levar em conta o contexto de cada um. Abel Ferreira tem um trabalho consolidado no Palmeiras. Leonardo Jardim chegou ao Flamengo há pouquíssimo tempo, mas já começou a dar forma ao time, conquistando boas vitórias. No Atlético, Eduardo Domínguez ainda busca identidade. E identidade não se constrói na ausência — precisa de repetição, de convivência, de elenco completo. Justamente o que a Data Fifa retira.

E há um agravante que escancara a incoerência do nosso calendário. A pausa, na prática, é uma ilusão. Menos de 24 horas após o fim dos jogos de seleções, a Série A já está de volta.

Com isso, jogadores podem sair de uma partida internacional, atravessar fusos diferente, encarar viagens longas e, na sequência, serem exigidos novamente — às vezes no dia seguinte. Não é só desgaste. É risco. É improviso. É perda técnica.

Na teoria, a Data Fifa organiza. Na prática, também desorganiza. E aí, torcedor: vale a pena ter um elenco cheio de “selecionáveis”?

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Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.

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