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Um pouco do tanto que aprendi na China e na Coreia do Sul

Uma missão brasileira para explorar Inteligência Artificial e inovação em escolas, empresas e organizações asiáticas

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missão ásia iungo
Missão Ásia • Acer

Voltei recentemente da Ásia, após participar de uma delegação brasileira composta por 40 representantes de quase 20 instituições que atuam nos campos da educação e da cultura. A missão, organizada pela Fundação Itaú, teve como objetivo aprofundar os conhecimentos sobre Inteligência Artificial e suas relações com educação e a cultura. Nossa expectativa era de que encontraríamos o futuro!

Visitamos escolas de referência, fundações que investem em educação e cultura, empresas que produzem conteúdos educacionais e outras que fornecem produtos e serviços tecnológicos (desde robôs, até sistemas complexos de logística, sites de busca e fábrica de carros autônomos). Chama a atenção como a tecnologia de ponta faz parte da vida de milhões de chineses. Para se ter uma ideia, é difícil conseguir usar dinheiro em espécie, que nas grandes cidades já funciona quase totalmente com pagamentos por aplicativo. Além disso, carros elétricos são comuns e estão no dia a dia.

A segunda escola, localizada em Hong Kong, me marcou bastante por algumas razões: eles têm um trabalho muito bem estruturado de STEAM (sigla que significa o desenvolvimento de projetos que integram conhecimentos de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática). Ou seja, os alunos aprendem conteúdos dessas áreas enquanto resolvem problemas reais que identificam nos locais em que vivem. Assim, esses conhecimentos são construídos em conexão com a vida real, de modo prático. Essa abordagem ajuda a desenvolver criatividade, comunicação, colaboração e pensamento crítico. A escola tem, também, um laboratório de biologia molecular, que é um espaço de formação dos alunos como pesquisadores. Aprender a investigar, por meio da experimentação e outros métodos de ciência, é fundamental nos dias de hoje. O trabalho da escola com os professores também merece destaque: eles fazem formação continuada na própria unidade escolar, professor aprendendo com professor, a partir daquilo que desenvolvem junto aos alunos. Todo esse conhecimento é organizado por eles e publicado em uma revista científica da escola.

Nesses 15 dias em que passei na China e na Coreia do Sul pude perceber a força da tecnologia em vários campos da vida pessoal, social e escolar. Mas também ficou claro que nenhuma tecnologia substitui o professor. O que muda são alguns dos papéis desses profissionais da educação. Estar aberto a tais mudanças é essencial para valorizarmos cada vez mais a profissão docente.

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Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É mestre e doutor em educação e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP.

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