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Como avaliar as práticas ESG e de Responsabilidade Social de uma empresa

Criado em 2004, o termo surgiu de uma provocação do secretário-geral da ONU Kofi Annan a CEOs de grandes instituições financeiras

Muito se tem falado sobre as tais práticas ESG (sigla em inglês que significa environmental, social and governance) e as empresas cada vez mais buscam aprimorar seu desempenho relacionado a suas práticas ambientais, sociais e de governança. Podemos entender então o tão famoso ESG como a forma ética de gestão corporativa que engloba as expectativas e interesse de todos os stakeholders (fornecedores, investidores, clientes, colaboradores e comunidades) para o desenvolvimento empresarial e da sociedade.

O termo ESG foi criado em 2004 em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada Who Cares Wins. Surgiu de uma provocação do secretário-geral da ONU Kofi Annan a 50 CEOs de grandes instituições financeiras, sobre como integrar fatores sociais, ambientais e de governança no mercado de capitais.

Desde de que comecei a trabalhar como consultora em Responsabilidade Social Corporativa a grande questão é como avaliar se realmente a empresa possui um bom desempenho socioambiental ou se está apenas se ”lavando de verde” (termo muito utilizado em inglês - Greenwashing) ou seja se fazendo passar por uma empresa com compromisso socioambiental.

A avaliação de desempenho socioambiental é bem complexa e requer uma análise detalhada que considere a avaliação holística das práticas e compromissos da empresa. Dessa forma, não é fácil avaliar de forma rápida e superficial se uma empresa tem realmente responsabilidade socioambiental ou se é apenas greenwashing?

Um excelente parâmetro para sabermos se uma empresa tem compromissos e boas práticas ESG é a certificação B, já ouviu dizer a respeito do Movimento B? Empresa B? Sistema B? Vou te contar um pouco sobre eles:

Movimento B

O Movimento B surgiu nos EUA em meados de 2006, com a fundação do B Lab, uma instituição sem fins lucrativos, responsável pela certificação das empresas B. O Movimento B possui hoje atuação global com filiais do B Lab nos 5 continentes, aqui na América Latina esta organização é denominada de Sistema B.

Porque o Movimento B existe?

O Movimento Global de Empresas B possui o propósito de “redefinir o conceito de sucesso nos negócios” almeja uma economia na qual o sucesso será medido pelo bem-estar das pessoas, da sociedade e da natureza.

Como ele atua?

Criando infraestrutura para acelerar e institucionalizar essa mudança, tendo como base 3 pilares nos negócios:

  • Propósito (que inclua o impacto ambiental e social positivo),

  • Responsabilidade (consideração de stakeholders na decisão) e

  • Transparência (mensuração e reporte do triplo impacto)

O que o movimento faz para institucionalizar e acelerar essa mudança?

O Movimento acredita em uma alternativa viável e escalável para essa mudança sistêmica e desenvolveu seu modelo de atuação por meio de 4 passos:

  1. Criar ferramentas para que as empresas possam seguir esse caminho do triplo impacto (Avaliação de Impacto B e SDG Action Manager)

  2. Construir uma comunidade global de líderes de uma nova economia (As mais de 7081 empresas B de todo mundo possuem uma forte rede, na qual trocam experiências, fazem negócios e compartilham benefícios. O Movimento B possui o modelo de difusão por meio de comunidades locais, as quais são formadas por empresas B e pessoas engajadas com a causa - os Multiplicadores B)

  3. Advocacy - Influenciar políticas públicas que podem mudar a forma como os negócios são desenhados (No Brasil o Movimento B atua junto a outras organizações no ENIMPACTO – A Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto, em articulação com os setores competentes do governo, do setor privado, da comunidade científica e acadêmica e da sociedade civil. Agora em 17/08/2023 o presidente assinou o Decreto n. 11.646, que renova o prazo e reorganiza os membros integrantes do comitê da Estratégia Nacional de Economia de Impacto – ENIMPACTO.

  4. Incentivar consumidores, trabalhadores e investidores a apoiarem negócios que são melhores para o mundo (e não do mundo).

Avaliação de Impacto B (BIA - B Assessment Impact)

A avaliação de impacto B foi planejada para contemplar qualquer tipo de empresa, de todos os setores e porte, sendo uma ferramenta de gerenciamento online e gratuita, que ajuda os negócios a cada vez mais se tornarem uma força para o bem. A ferramenta é como um guia de práticas sustentáveis, concretas, mensuráveis e executáveis, que pode ser utilizada para quem quer se tornar uma empresa B ou mesmo para aqueles que desejam apenas avaliar, comparar e melhorar seu desempenho socioambiental. A ferramenta avalia o desempenho socioambiental numa escala de 0 a 200 pontos com base em 5 áreas da organização: Governança, Colaboradores, Comunidade, Meio Ambiente e Clientes.

Empresas B

Para uma empresa se tornar uma empresa B, ela deve conseguir o mínimo de 80 pontos na avaliação de impacto B, além de se comprometer a alterar seus estatutos (dentro de um ano a partir da certificação). Os estatutos B dão proteção legal para os diretores e gestores da empresa porque consideram todos os públicos de interesse no processo de tomada de decisões e não somente alguns acionistas. Atualmente existem mais de 7081 empresas B no mundo, 305 empresas B no Brasil (Conheça as empresas B do Brasil )e esse número cresce em ritmo acelerado.

Na minha opinião a Avaliação de Impacto B (BIA - B Assessment Impact) é o grande diferencial do Movimento B para outros movimentos dessa nova economia de negócios de impacto e conscientes, pois a BIA nos permite medir o desempenho socioambiental com métricas claras e mensuráveis relacionadas à responsabilidade socioambiental.

Definitivamente cada vez mais o mercado demonstra que no futuro crescerão somente as empresas que já entenderam que são responsáveis socialmente, que possuem um propósito maior e que estejam alinhadas às ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis).

*Com Anna Bolivar

Bruna Braga é jornalista, consultora em RSC e fundadora da Terceirolhar
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