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O desempenho da Seleção afetará as eleições?

Nos anos 70, o tricampeonato foi peça de comunicação do regime militar. Com o Brasil redemocratizado, como se interagem o desempenho eleitoral dos presidentes da República e os resultados das Copas?

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Seleção Brasileira se prepara para Copa do Mundo 2026 • RAFAEL RIBEIRO/CBF

Política eleitoral e futebol, em algumas circunstâncias, andam juntos. A convocação de Neymar, por exemplo, já está nas redes sociais de alguns políticos. Mas, olhando para os grandes resultados das Copas, será que o desempenho da Seleção Brasileira afeta a sucessão presidencial?

Nos anos 1970, a Seleção Brasileira encantava o mundo pela arte dos seus grandes astros: Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino. Quando chegou ao país com o tricampeonato, o futebol, que já vinha sendo apropriado pelo regime, consolidou-se como uma das estratégias de comunicação para reforçar a ideia de um Brasil “unido” em todos os campos. Saía o foco da repressão política. Entrava a nação de chuteiras.

Cinquenta e seis anos depois, temos eleições. O que dizem os resultados? Entre 2002 e 2022, duas décadas de futebol, foram seis copas, cinco resultados divergentes para os presidentes da República.

Em 2002, o Brasil venceu a Copa e trouxe o pentacampeonato. Mas o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não conseguiu fazer o seu sucessor. Lula (PT), que era oposição, venceu José Serra (PSDB), nome apoiado pelo governo. Em 2006, o Brasil não trouxe título, terminou na quinta posição, mas Lula se reelegeu. Da mesma forma, em 2010, a Espanha levou o troféu e o Brasil terminou em sexto lugar, mas a sucessora de Lula, Dilma, foi eleita. Em 2014, Dilma foi reeleita, apesar do fiasco do Brasil e da vitória da Alemanha.

Em 2018, foi a vez do então deputado federal Jair Bolsonaro (PL) ganhar a eleição presidencial, enquanto a França levava o título. Naquele momento, o então presidente Michel Temer (MDB) apoiou oficialmente Henrique Meirelles no primeiro turno e, no segundo, Jair Bolsonaro, que concorria pelo PSL.

Já em 2022, a Argentina venceu, a Seleção Brasileira terminou na sétima colocação. Lula, que foi o desafiante, ganhou a eleição de um presidente que associou as suas pautas à camisa canarinho. Como se vê, os resultados da Seleção e resultados eleitorais não andam juntos.

Do ponto de vista da dinâmica eleitoral, contudo, a Copa é momento em que o brasileiro põe os olhos mais no gramado e menos nas campanhas eleitorais. Ainda que os grupos engajados de eleitores façam barulho nas redes sociais, a maioria do eleitorado quer acompanhar os lances. Até por isso, candidatos se preparam para tentar sincronizar o seu conteúdo ao futebol. E também, tentar pegar carona com este ou naquele craque.

Uma coisa é certa: as campanhas estão preparadas para ajustar a navegação de seu conteúdo, ao momento da bola. Só que em tempos de tormenta do Master e das investigações em torno das fraudes do INSS, nada garante que um novo escândalo não vá saltar no meio do campo.