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Presidente da Stellantis reconhece falha nas previsões da indústria automotiva

Chinesas, nos últimos quatro anos, conseguiram conquistar a confiança do consumidor brasileiro

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O presidente da Stellantis da América do Sul, Herlander Zola • Divulgação/Stellantis

O presidente da Stellantis, Herlander Zola, na tarde de ontem, em São Paulo, reconheceu a falha nas previsões sobre a velocidade da transformação do mercado e apontou parcerias chinesas como caminho para recuperar competitividade.

Na avaliação do executivo, a indústria automobilística sabia que o futuro passaria pela eletrificação. O que não calculou corretamente foi a velocidade dessa mudança e a capacidade das fabricantes chinesas de conquistar o consumidor. Zola falou do erro de leitura do setor ao discutir a transformação do segmento e os desafios das montadoras tradicionais.

Para ele, o equívoco esteve na previsão do ritmo de avanço das novas tecnologias. “Porque o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia", afirmou.

Questionado pela CNN sobre a preparação das fabricantes locais, diante da expansão chinesa, Zola rejeitou a ideia de que o movimento que enxergamos hoje tenha sido simplesmente ignorado.

Para concorrer com mais competitividade, a Stellantis está equilibrando margens e volumes, considerando cada produto e a ocupação de suas fábricas. Em determinadas situações, a companhia admite trabalhar com margens menores para preservar vendas. Em outras, essa conta pode não compensar.

O outro lado

O executivo também reconheceu que vantagens tecnológicas conquistadas pelo grupo perderam força com a evolução da concorrência. Citou os motores turbo e, depois, os sistemas híbridos leves como soluções que trouxeram diferenciação durante um período, mas acabaram alcançadas ou superadas por outras ofertas.

No caso dos híbridos leves, a declaração foi direta: “Foi uma vantagem durante um período. Hoje já não é mais.” A resposta, segundo ele, passa por ampliar o acesso a tecnologias de eletrificação que ainda faltam em algumas marcas da companhia.

Chineses

Nesse caminho, os parceiros chineses ocupam posição estratégica. Zola apontou a Leapmotor (que vai lançar o B03X em novembro) como uma das alavancas para ampliar a competitividade, tanto com produtos da própria marca quanto com tecnologias que possam ser utilizadas por outras marcas do grupo.

Há um ano no comando da Stellantis, Herlander Zola também revelou que as conversas envolvendo a Dongfeng vêm amadurecendo e podem resultar em uma atuação mais ampla na região. Trata-se de uma possibilidade em discussão, agora, sem anúncio de novos produtos ou marcas para o Brasil.

“Eu posso me associar (Stellantis) a mais uma, a mais duas ou a mais dez”, afirmou, ao explicar que novas associações com as chinesas dependerão das necessidades do negócio.

Estratégia

O novo desafio da Stellantis é melhorar o produto sem reduzir os valores entregues ao cliente. Isso no Brasil ou na Argentina, que sofre com a entrada de carros brasileiros e chineses contra os veículos feitos em plantas como a de El Palomar, por exemplo. De lá saem o 208 e o 2008 da Peugeot.

A competitividade chinesa também levou o grupo franco-italo-americano a questionar decisões antigas da indústria ocidental de terceirizar etapas da produção. Em sua avaliação, a verticalização adotada por fabricantes da China oferece lições sobre atividades que podem ser aproveitadas quando elas permanecem dentro da empresa.

No Brasil, Zola defendeu maior previsibilidade para os investimentos e regras que estimulem a produção local e a cadeia de fornecedores. Ressaltou que esse incentivo pode ocorrer por diferentes instrumentos, sem necessariamente depender de um aumento da tributação sobre importados.

Ao discutir a montagem de veículos a partir de kits importados, alertou que uma mudança ampla para esse modelo reduziria a necessidade de trabalhadores e afetaria fornecedores. A hipótese foi apresentada como exemplo dos impactos industriais possíveis, e não como uma decisão anunciada pela empresa.

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Jornalista, creator, diplomado pela Universidade Católica de Pernambuco, técnico em mecânica e premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país. Atua no segmento desde 1995 e está presente nas principais coberturas de lançamentos e salões nacionais e internacionais.

 

 

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