O que realmente determina a escolha do eleitor na hora do voto?
Estudos de universidades de referência mostram a importância das perguntas que o eleitor deve responder antes de decidir o voto

A dois dias do segundo turno presidencial, o que pode levar um eleitor indeciso a escolher entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)? A resposta vai além das propostas apresentadas pelos candidatos. Estudos das universidades mais respeitadas do mundo mostram que a decisão eleitoral envolve identificação política, avaliação da economia, desempenho dos governantes, confiança, valores pessoais e rejeição ao adversário.
A questão central é identificar quais desses fatores têm maior peso na escolha individual e quais perguntas o eleitor ainda precisa responder antes de votar.
A Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveu uma das principais teorias sobre comportamento eleitoral, apresentada no livro The American Voter, publicado em 1960. Segundo a abordagem, a identificação com partidos e correntes políticas funciona como um filtro pelo qual o eleitor interpreta propostas e acontecimentos.
Já os estudos da Universidade Columbia destacam a influência da família, dos amigos e dos grupos sociais na formação das preferências. Isso ajuda a compreender por que dois eleitores podem receber as mesmas informações e chegar a conclusões diferentes.
No Brasil, pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também investigam como identificação ideológica, escolaridade, interesse por política e vínculos partidários interferem na decisão.
Identificação com a esquerda ou a direita não significa necessariamente concordância com todas as posições associadas a essas correntes. A constatação reforça a importância de analisar separadamente as preferências políticas, as propostas concretas e a avaliação dos candidatos.
Para o eleitor que ainda não decidiu, a ciência política oferece perguntas fundamentais:
1. Qual candidato apresenta propostas mais próximas das minhas prioridades?
2. Em quem confio para executar as propostas que avalio prioritárias?
3. Minha vida, em comparação com outros períodos, melhorou ou piorou nos últimos anos? Qual responsabilidade o governo tem nisso e qual é a minha responsabilidade?
4. O histórico de cada candidato sustenta suas promessas?
5. Estou escolhendo por identificação, expectativa de mudança ou rejeição ao adversário?
6. Pesquise os programas de Governo de cada candidato e avalia ponto a ponto qual o impacto para você e o coletivo?
Responder a essas perguntas é um exercício que vai além da definição de um voto. É também uma oportunidade de refletir sobre a própria visão de mundo, reconhecer prioridades, valores e expectativas e compreender o que realmente orienta as decisões individuais.
O exercício permite ao eleitor entender suas próprias convicções, sua relação com o coletivo, e perceber, muitas vezes, que uma visão de sociedade não necessariamente se encaixa por inteiro dentro de rótulo de direita ou esquerda.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



