O que Marília Campos e Michelle Bolsonaro têm em comum?
Pressionadas, petista e bolsonarista têm posições diferentes das de seus partidos

Embora estejam em lados completamente opostos, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado por Minas Gerais, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada para disputar o Senado pelo Distrito Federal, vivem momentos políticos internos que guardam alguma semelhança, segundo aliados da petista.
Pressão por candidatura
Marília Campos é pré-candidata ao Senado em Minas, mas tem sofrido pressão dos próprios pares para se candidatar ao Governo de Minas. Desde que renunciou à Prefeitura de Contagem para disputar as eleições, Marília deixou claro que concorreria ao Senado e não mudaria de opinião.
Com o passar dos meses, a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD) de disputar o Governo de Minas e a falta de um palanque forte para Lula no estado fizeram com que correligionários passassem a insistir no nome da ex-prefeita.
Na última quarta-feira, uma pesquisa encomendada pelo PT mineiro foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento mostrou Marília como um nome de destaque, e o presidente designou Edinho Silva, que comanda o PT nacional, para conversar sobre o assunto. O encontro será no domingo (28), em Belo Horizonte.
Marília deve declinar do convite, mas a sensação de ter a voz sufocada e de não ser ouvida tem incomodado a petista, que defende uma aliança ampla com um candidato ao governo do estado de outro partido e a manutenção de sua candidatura ao Senado. Ela argumenta que, além da chance de vencer, é importante levar uma mulher representando o PT ao Senado.
'Porque só mulher tem que ceder'
Enquanto isso, Michelle Bolsonaro estremeceu as bases do próprio partido com um vídeo de quase meia hora em que expõe o fato de suas indicações para três candidatas ao Senado, endossadas por Jair Bolsonaro, não terem sido respeitadas.
Ela é presidente do PL Mulher. Michelle também questiona o fato de a indicação de Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará também não estar sendo respeitada. A aliança com Ciro Gomes, candidato do PSDB, é considerada por ela uma traição.
No vídeo, Michelle critica o próprio enteado, Flávio Bolsonaro, por apoiar Ciro Gomes (PSDB), considerado um inimigo do pai. A ex-primeira-dama usa expressões como "porque só mulher tem que ceder", "eles me tratam como se eu fosse idiota" e "eu sei mais do que eles pensam".
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



