Flávio Bolsonaro transforma ofensiva de aliados de Lula em estratégia eleitoral
Ao recorrer ao TSE contra supostas fake news, senador busca reforçar imagem de ser alvo de ataques e explorar discurso da mudança

Ao acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pedindo a retirada de notícias falsas das redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) abre uma frente de vantagem competitiva, já que reforça a narrativa de que está sendo alvo de ataques. Quando afirma que existe uma "campanha do medo" lançada pelo adversário, Flávio segue uma estratégia explorada em eleições recentes no Brasil: reforçar que é alvo de perseguição, para despertar a empatia do eleitorado.
Fórmula
Em 2014, Dilma Rousseff foi alvo de manifestações de machismo e misoginia, inclusive com adesivos ofensivos em carros. A exploração política desses ataques foi feita pela campanha petista para reafirma que a ex-presidente estava sendo vítima de ataques e preconceito. Em 2022, Lula acusou Jair Bolsonaro (PL) de manter um gabinete do ódio e adotou o discurso do "amor contra o ódio" como uma das marcas de sua campanha.
Desta vez, Flávio, que terminou o primeiro turno à frente de Lula, é quem busca reforçar que está sendo alvo de fake news.
Na ação de investigação judicial eleitoral apresentada na noite de quinta-feira (8), a campanha de Flávio acusa uma rede de perfis no Instagram de disseminar, de forma coordenada, informações falsas ou descontextualizadas contra o senador, supostamente em benefício da candidatura de Lula. A defesa sustenta que as publicações começaram a circular logo após o primeiro turno e pede a retirada dos conteúdos, a suspensão das contas envolvidas e a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. As acusações ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral.
Vacina
A estratégia de Flávio não se limita à reação aos ataques. O presidenciável constrói uma vacina eleitoral, antecipando críticas e apresentando respostas antes que as acusações ganhem força. Enquanto Lula procura associar uma eventual vitória do adversário a riscos para o país, Flávio reforça o discurso da mudança, explorando o desgaste de quem está no poder. A lógica é transformar a ofensiva petista em argumento a favor da alternância de governo e, ao mesmo tempo, reduzir a capacidade dos ataques de provocar danos à sua candidatura.
Militância aliada
Além das ações coordenadas pelas campanhas, grupos de apoiadores que atuam de maneira autônoma nas redes sociais e no WhatsApp desempenham um papel importante na disputa de narrativas. Nesses espaços, circulam informações sobre estratégias dos adversários, ataques em preparação e possíveis linhas de defesa. Há também relatos de participantes que acompanham grupos ligados ao campo político oposto para identificar antecipadamente conteúdos e argumentos. Esse monitoramento permite acelerar respostas e ampliar a circulação de mensagens favoráveis aos candidatos. Na disputa pelo segundo turno, a velocidade da reação passou a ser tão importante quanto o próprio conteúdo dos ataques.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



