A avaliação de aliados de Lula e Flávio sobre o impacto do debate nas pesquisas
Entorno dos candidatos acredita que presidenciáveis falaram para as próprias bolhas

Depois de 64 dias de campanha, finalmente ocorreu o primeiro confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). E a principal pergunta do day after, ou seja, do dia seguinte, é: os presidenciáveis conseguiram conquistar os indecisos e os eleitores que não foram votar no primeiro turno? A avaliação de alguns aliados dos dois candidatos é de que o debate da Band, realizado neste domingo (18), teve pouco potencial para alterar significativamente o cenário das pesquisas, já que ambos falaram mais para seus próprios eleitores do que para quem ainda pode mudar de voto.
No dia 4 de outubro, a abstenção foi de 21,08%, o que significa que 33,47 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Os motivos são variados e vão do desinteresse pela política, da descrença nos candidatos e da sensação de que o voto não provoca mudanças concretas até dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, ausência do domicílio eleitoral e impedimentos relacionados ao trabalho. É justamente nesse contingente que as campanhas enxergam uma oportunidade de ampliar suas votações na reta final.
No primeiro turno, Flávio conquistou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 2.224.965 votos. O presidente corre atrás de novos apoios para alcançar e ultrapassar o adversário, enquanto o candidato do PL tenta preservar a dianteira e ampliar a vantagem para vencer com folga. Mas, em uma disputa polarizada, conquistar eleitores fora das bases tradicionais é um dos maiores desafios das duas campanhas.
Nessa batalha, o debate é considerado um momento importante, já que o enfrentamento direto expõe os concorrentes de uma forma diferente daquela observada no dia a dia da campanha. Estratégias, adrenalina, nervosismo, provocações e a capacidade de lidar com o inesperado entram na conta. Além de mobilizar apoiadores, o objetivo é convencer quem ainda tem dúvidas sobre em quem votar.
No debate de domingo, no entanto, os ataques prevaleceram sobre as propostas. Lula e Flávio concentraram boa parte do confronto em acusações, críticas e respostas às provocações do adversário. A avaliação nos dois campos políticos é de que cada candidato conseguiu reforçar argumentos que já mobilizam seus respectivos apoiadores, mas não necessariamente apresentou elementos capazes de conquistar uma parcela expressiva dos indecisos.
A percepção de aliados dos presidenciáveis é de que o embate serviu mais para consolidar posições do que para provocar uma mudança no comportamento do eleitorado. Independente do resultado do encontro, interlocutores de Flávio aguardam subida superior a 3% nas próximas pesquisas.
O impacto efetivo nas intenções de voto, porém, dependerá das próximas pesquisas, que poderão indicar se houve alguma movimentação entre os indecisos ou entre aqueles que escolheram outros candidatos no primeiro turno.
A menos de uma semana da votação decisiva, a questão central permanece: Lula e Flávio conseguirão romper a barreira da polarização e convencer quem ainda não escolheu um lado ou o debate apenas reforçou as convicções de quem já tinha candidato?
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



