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Os bastidores do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band

De provocações entre equipes a bate-boca entre assessores a vídeos

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Os candidatos à Presidência durante rodada de perguntas do debate eleitoral.
Os candidatos à Presidência durante rodada de perguntas do debate eleitoral. • Renato Pizzutto/Band

O primeiro confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no debate da Band, nesse domingo (18), teve disputa na frente e atrás das câmeras. Nos bastidores, aliados dos dois presidenciáveis protagonizaram provocações e discussões. A tensão foi tamanha que a transmissão chegou a ser interrompida por mais de dois minutos durante as considerações finais por causa das manifestações das plateias.

Moro e Dallagnol na 1ª fila

A presença de Sergio Moro (PL), governador eleito do Paraná, e Deltan Dallagnol (Novo), senador eleito pelo mesmo estado, na primeira fila dos convidados de Flávio Bolsonaro, entre os quais estava Pablo Marçal, também foi uma provocação política. Os dois foram protagonistas da Operação Lava Jato e estiveram diretamente envolvidos nos processos que levaram Lula à prisão em 2018.

A escolha dos lugares, além de uma tentativa de desestabilizar o petista, reforçou o discurso anticorrupção do candidato do PL. Durante o confronto, Flávio chegou a mencionar os dois ao afirmar que Lula era o único presente que havia sido preso por corrupção, apontando para os antigos integrantes da Lava Jato.

As inscrições na camisa de Dallagnol

Deltan Dallagnol também chamou atenção pela camiseta que usou no debate. A peça trazia a frase "Eu prendi o Lula, STF soltou", acompanhada de uma reprodução do PowerPoint apresentado pelo então procurador em 2016 para acusar Lula no caso do triplex do Guarujá.

Bate-boca entre Sidônio Palmeira e Fábio Portela

Um dos momentos de maior tensão ocorreu durante um dos intervalos, quando o ministro licenciado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, responsável pelo marketing de Lula, discutiu com Fábio Portela, chefe da comunicação da campanha de Flávio. Os dois ficaram frente a frente no centro do palco. Sidônio estava irritado com a estratégia do senador de permanecer atrás do presidente enquanto Lula falava, gesticulando e reagindo às declarações do adversário.

Nikolas chama Haddad e Tebet de desempregados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez um vídeo nos bastidores do debate da Band ironizando as derrotas eleitorais de Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (PSB). Ao encontrar o ex-ministro da Fazenda, derrotado na disputa pelo governo de São Paulo, Nikolas disparou: "Tá desempregado, hein?". Em seguida, virou a câmera para a ex-ministra do Planejamento, que não conseguiu se eleger ao Senado por São Paulo, e completou: "Os dois aqui desempregados". O vídeo foi publicado nas redes sociais do parlamentar.

Durante o debate, Nikolas também protagonizou provocações na plateia, chegando a mandar o ministro Sidônio Palmeira calar a boca.

Assistir vídeo:

Pavanato e Haddad

O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) também gravou um vídeo provocando Fernando Haddad nos corredores da Band. Ao encontrar o petista, chamou-o de "Taxad" e "demitido", em referência à derrota eleitoral. Haddad reagiu encostando a mão no rosto do parlamentar. Pavanato questionou: "Bateu em mim?" e advertiu: "Bota a mão em mim não, rapaz". O ex-ministro respondeu que havia feito apenas um "carinho". Mesmo depois da reação, Pavanato continuou com as provocações, chamando Haddad de "perdedor" e "tonto". O episódio foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais do parlamentar.

Janja reage e diz que estava espirrando

A primeira-dama Janja também participou das manifestações na plateia. Durante uma das falas de Flávio Bolsonaro, ela gritou "mentira, mentira". Posteriormente, afirmou que estava "espirrando". Nikolas Ferreira fez um gesto de silêncio em direção à primeira-dama, levando o dedo à boca.

Gritaria interrompe debate por mais de dois minutos

A tensão atingiu o ponto máximo no último bloco, durante as considerações finais. Gritos, gargalhadas, aplausos e assobios da plateia interromperam as falas dos presidenciáveis. A confusão paralisou o debate por mais de dois minutos. A mediadora Adriana Araújo precisou pedir silêncio e lembrar que os convidados não faziam parte do debate.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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