CPAC: o clima de campanha pró-Bolsonaro para 2026
Apesar da inelegibilidade do ex-presidente, aliados reforçam intenção de candidatura à presidência

A Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), neste sábado (6) e domingo (7), em Balneário Camboriú (SC), foi marcada por um clima de campanha pró-Bolsonaro para 2026. Apesar de o ex-presidente estar inelegível, aliados fizeram questão de reforçar os planos de candidatura de Bolsonaro à presidência da República.
No sábado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) palestrou durante um painel com o ex-presidente e disse que "se algo mudar", ele tem três opções para 2026: "Jair, Messias e Bolsonaro". Na mesma mesa, o governador de São Paulo, ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que "Bolsonaro ainda tem muito a contribuir".
No domingo, o presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto - que está proibido pela justiça de encontrar com o ex-presidente - foi claro ao dizer que Bolsonaro manda no partido e revelou que Eduardo Bolsonaro (PL) deve sair senador por São Paulo em 2026. No mesmo dia, o deputado federal Marco Feliciano (PL), terminou a palestra com uma oração e a seguinte frase "Presidente Bolsonaro em 2026. A direita está viva e está de pé".
O próprio Bolsonaro, em seus discursos, não falou sobre candidatura, mas o grupo político - usando a mesma estratégia que a base de Lula - reafirma a candidatura de Bolsonaro para 2026, reforçando a polarização e gerando expectativa para mais um duelo eleitoral histórico.
Inelegibilidade e jóias
Além de ignorar a inelegibilidade, aliados de Bolsonaro também desconsideraram completamente o indiciamento do ex-presidente no inquérito que investiga a venda ilegal de jóias recebidas como presente da arábia saudita.
Tarcísio, Michelle e Eduardo Bolsonaro
A reafirmação do nome de Bolsonaro foi feita em forma de citação explícita, mas também ficou evidente nas "falas de recuo" de potenciais candidatos à presidência. Tarcísio dizendo que Bolsonaro "ainda tem muito a contribuir", Valdemar lançando "Eduardo para o Senado" e Michelle afirmando que mulheres, esposas são "ajudantes", "colaboradoras".
Foco no Bolsonaro
A estratégia ao mesmo tempo que fortalece a imagem de Bolsonaro e mobiliza a militância, protege possíveis opções de apadrinhados de sofrerem ataques e desgaste antecipado.
Eleições municipais
Todos bateram na tecla de que 2026 passa por 2024 e pediram votos para candidatos a vereadores e prefeitos do PL, argumentando que eles são cabos eleitorais importantes para deputados, senadores e para a presidência nas eleições daqui dois anos.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



