Climão no Itamaraty: diplomatas reclamam dos critérios de promoção
Ministério das Relações Exteriores afirma que está cumprindo todas as regras

Na última semana de junho, o Ministério das Relações Exteriores promoveu dezenas de diplomatas. A promoção por merecimento é periódica, mas esse foi o primeiro processo realizado após a adoção de critérios objetivos para a elaboração de uma lista pré-classificatória. O incômodo surgiu justamente porque muitos dos primeiros colocados nessa lista objetiva, posteriormente avaliados por duas instâncias colegiadas, não foram promovidos.
A seleção gerou indignação entre os preteridos, que alegam a prevalência de critérios políticos. Foram realizadas promoções para os cargos de ministro de primeira classe, ministro de segunda classe, conselheiro e primeiro-secretário por merecimento, além das promoções ao cargo de segundo-secretário por antiguidade.
A Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros parabenizou os promovidos, mas divulgou uma carta criticando o mecanismo de promoção. "O sindicato lamenta que os resultados ignorem critérios objetivos do Decreto nº 12.815/2026, apesar de ter participado das discussões e defendido princípios como previsibilidade, transparência e critérios objetivos. Embora o decreto tenha incorporado avanços parciais, o primeiro ciclo de promoções mostrou que problemas persistem, como a preterição de diplomatas com alta pontuação e a manutenção da votação nas câmaras de avaliação, que reintroduz subjetividade e preferências pessoais", diz o documento.
Resposta do Itamaraty
À Itatiaia, fontes da direção do Itamaraty afirmaram que o Ministério das Relações Exteriores está cumprindo os critérios estabelecidos e implementando uma política de diversidade e inclusão tanto no ingresso quanto nas promoções da carreira. Ainda segundo o MRE, o percentual de mulheres promovidas é o maior da história do Itamaraty, alcançando 26,6%, índice superior à participação feminina na carreira, que é de 23,5%.
O concurso mais recente também registrou um recorde: 45% dos aprovados foram mulheres, o maior percentual da história, acima da média histórica de 21%.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



