Dom Walmor I Instituições Feridas
Golpes contra as instituições são motivados por interesses pessoais e políticos

Uma nação precisa de instituições fortes, capazes de promover o desenvolvimento integral, preservar a moralidade na gestão pública, respeitar as leis e cuidar do bem comum. Quando fragilizadas as instituições, todo o tecido social sofre. Crescem a pobreza, a violência, as discriminações e as exclusões. Muitas vezes, golpes contra as instituições são motivados por interesses pessoais e políticos.
Entre as causas dessa fragilização estão a falta de ética, a incoerência entre discurso e prática e a mistura de interesses particulares com a gestão do erário público. A competência necessária ao bom funcionamento institucional deve estar aliada à fidelidade a princípios éticos. Quando a credibilidade é rifada, os escândalos ferem a identidade das instituições.
É urgente investir na credibilidade, exercendo responsabilidades com qualidade e fidelidade à missão de cada contexto institucional. Nesse caminho, vale revisitar a Carta Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, que convida a reconhecer limites e a grandeza do ser humano. A fé cristã ensina que a finitude, acolhida na verdade, não empobrece, mas abre o ser humano ao reconhecimento de Deus e do semelhante.
Ignorar limites e alimentar a ambição desmedida favorece manipulações, corrupção e interesses partidários que desacreditam instituições e instauram o caos. O fortalecimento de contextos institucionais depende de pessoas lúcidas, éticas e comprometidas com o bem comum. A inteireza institucional nasce da fidelidade e da coerência, virtudes capazes de recuperar instituições feridas e contribuir para um novo tempo na sociedade brasileira.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



