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O que empresas podem fazer para inovar?

O especialista em inovação Bruno Stefani decifra o que é Venture Building Corporativo para que um futuro sólido e de sucesso seja construído

Bruno Stefani

Bruno Stefani

Divulgação

No mundo em constante evolução dos negócios, as empresas precisam inovar cada vez mais rápido para se manterem à frente das mudanças do mercado. A velocidade com que as ideias são geradas e implementadas é crucial para o sucesso de uma organização. O antigo modelo de inovação interna já não consegue acompanhar esse ritmo acelerado. É aí que entra o conceito de Venture Building, ou construção de empreendimentos corporativos, uma estratégia cada vez mais importante para as empresas se manterem na vanguarda da inovação.

O que é Venture Building Corporativo? Ele ocorre quando uma empresa estabelece uma entidade independente e separada que serve como um hub para a inovação externa. Essa entidade é livre da burocracia corporativa, mas permanece alinhada aos objetivos estratégicos da empresa. O objetivo é criar uma máquina de inovação com a agilidade e flexibilidade de uma startup, mas com o respaldo e os recursos de uma grande corporação.

Um exemplo notável de Venture Building Corporativo é o Studio X, uma iniciativa da Shell que busca criar produtos inovadores no campo da exploração. Essa abordagem permite às corporações aproveitar o talento e as ideias de empreendedores, intraempreendedores e especialistas externos, combinando-os com os recursos e conexões da empresa-mãe.

Uma das principais vantagens do Venture Building Corporativo é a oportunidade de acessar um novo grupo de talentos. Empreendedores e intraempreendedores têm uma mentalidade diferente, com maior disposição para correr riscos e agir rapidamente. Por outro lado, as grandes corporações podem ter uma cultura mais conservadora e um crescimento mais previsível.

Ao combinar esses dois grupos, o Venture Building Corporativo cria uma sinergia única. Os empreendedores trazem seu conhecimento externo e paixão pela construção de novos negócios, enquanto os intraempreendedores conhecem bem a empresa e podem desafiar as normas estabelecidas. Além disso, a corporação traz consigo recursos e conexões que uma startup tradicional não teria acesso.

Essa abordagem permite que as empresas acessem talentos que normalmente não considerariam trabalhar com elas. Pessoas criativas e inovadoras muitas vezes evitam o ambiente corporativo tradicional, mas podem ficar entusiasmadas em trabalhar em um estúdio de inovação. O Venture Building Corporativo abre portas para colaborações valiosas e a criação de soluções inovadoras.

Aproveitando as conexões corporativas

Uma das grandes vantagens do Venture Building Corporativo é a conexão direta com a rede de clientes da empresa-mãe. Enquanto as startups tradicionais muitas vezes lutam para conquistar os primeiros clientes, um empreendimento corporativo pode contar com uma base de clientes já existente, fornecida pelas conexões da empresa-mãe. Isso garante uma exposição instantânea, receita e uma reputação reforçada.

Um exemplo interessante desse tipo de conexão é a parceria entre a companhia aérea Qantas e uma empresa de seguros de saúde. A Qantas lançou um programa em que os clientes que registrassem seus passos diários ganhavam milhas extras. A comunidade de colecionadores de milhas da Qantas aderiu em massa ao programa de seguros de saúde, impulsionando o crescimento da empresa. Essa parceria beneficiou tanto a companhia aérea quanto a seguradora, resultando em uma base de segurados mais saudável e mais voos na Qantas Airways.

Oportunidades para empresas de médio porte

Embora o Venture Building Corporativo seja frequentemente associado a grandes corporações, empresas de médio porte com margem de lucro sólida também podem se beneficiar dessa abordagem. Essas empresas podem explorar áreas adjacentes de mercado em que já possuem conexões, recursos e conhecimento. Ao montar uma equipe de empreendedores e colaboradores internos, elas podem criar seu próprio estúdio de inovação e aproveitar as oportunidades do mercado.

Investir em Venture Building Corporativo pode levar a um crescimento explosivo, inovação disruptiva e rápida entrada em um novo mercado. Essa abordagem permite que as empresas construam um futuro sólido e estejam preparadas para enfrentar ameaças competitivas e desafios de mercado. É o caminho para o sucesso no mundo dos negócios atual. Não perca tempo e comece a construir o futuro da sua empresa hoje mesmo.


Bruno Stefani estará no Órbi Conecta, o principal hub de inovação de Minas Gerais, no próximo dia 20 de setembro. Com empresas da Rede Órbi, ele falará sobre a transformação digital que estamos vivendo: comportamento, sociedade e inovação. O encontro faz parte das ações do programa Órbi for Corporates. Para fazer parte saiba mais em www.orbi.co ou entre em contato com bruno.borges@orbi.co.


Por Bruno Stefani - empreendedor, professor, conselheiro de inovação para médias e grandes empresas, integrante da Rede Órbi Conecta e professor da Fundação Dom Cabral. Foi diretor global de inovação da ABInbev

O Órbi Conecta é o principal hub de inovação e empreendedorismo digital de Minas Gerais, e agora mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.
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