Lula ou Flávio Bolsonaro, quem vencerá a eleição presidencial?
A 30 dias das urnas, as simulações de segundo turno da mais recente pesquisa Datafolha confirma as estimativas de todas as outras divulgadas esta semana. A disputa pelo Planalto está indefinida e a batalha pelo Planalto transborda para uma guerra dentro de outros Poderes

A 30 dias das eleições presidenciais, o confronto projetado para o segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) assemelha-se, neste momento, a um cabo de guerra. Duas forças opostas, em equilíbrio, puxam a corda em sentido oposto. Em simulação de segundo turno, a mais recente pesquisa Datafolha confirma as estimativas das pesquisas BTG Pactual/Nexus, Atlas Intel e Quaest, divulgadas esta semana, depois do início da propaganda partidária e do primeiro debate entre candidatos realizado pela Band.
O retrato do momento indica que se o confronto do segundo turno fosse hoje, Lula teria 46% , Flávio Bolsonaro 44%, 9% votariam em branco ou anulariam. É uma situação de empate técnico. Seguem indecisos apenas 2%. A projeção da disputa parece imobilizada por dois grandes grupos de eleitores, de igual tamanho: 47% rejeitam Flavio Bolsonaro e 45% rejeitam Lula.
Na simulação de primeiro turno, Lula segue como primeira opção de voto para 38%, Flávio para 33%. O escritor Augusto Cury (Avante) se confirma como a novidade, com 8% das intenções de voto. Cury atropelou os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que tem 4% e Romeu Zema (Novo), com 2%. Renan Santos (Missão), com seu discurso antissistema segue com 3%. Indecisos são apenas 3%. O que tem Augusto Cury, que nunca concorreu a um cargo eletivo, que até aqui não demonstram possuir Caiado e Zema? Com estilos diferentes, Caiado, Zema orbitaram o bolsonarismo até poucos meses antes das eleições presidenciais. Tentam se afastar, mas, não conseguiram emplacar uma narrativa.
Com maior consistência do que Zema para debater políticas públicas, Caiado suavizou o discurso para falar com o eleitor de centro. Mas carrega um problema de origem: precisa seguir batendo em Lula com a mesma ênfase que o caracterizou nos últimos quatro anos, mas não pode fazer o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro, porque colocaria em risco a reeleição do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), vice que assumiu com a desincompatibilização de Caiado. Diferentemente de Zema em Minas Gerais, Caiado lidera a corrida presidencial em seu estado, à frente de Lula e Bolsonaro. Entre eleitores que os conhecem, Zema e Caiado apresentam neste momento taxa líquida de rejeição, segundo a BTG Pactual/Nexus próxima à de Lula e de Flávio Bolsonaro. E o campeão na taxa líquida de rejeição entre eleitores que o conhecem é Renan Santos: entre os 56% dos eleitores que dizem conhecê-lo, 62% não votam nele de forma alguma.
A questão que se coloca é: os novos desgastes esperados pelo vazamento seletivo de escândalos para atingir as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, irão impulsionar Cury, como alternativa de terceira via ao estilo “o divã que acolhe”? Ainda é cedo para dizer. Neste momento, os dados indicam que diferentemente da disputa ao governo de Minas, que tem maior projeção de indecisos e quatro candidaturas emboladas concorrendo pela segunda posição; a eleição presidencial até aqui está congelada. E indefinida entre Lula e Flávio Bolsonaro. É um equilíbrio instável, sujeito a abalos, que poderão ocorrer menos pela comparação entre programas de governo e candidaturas; e mais pela guerra que se processa dentro de outros Poderes e órgãos de controle. A disputa pelo Planalto é, neste momento, apenas uma batalha de uma guerra mais profunda, que envolve órgãos de controle, o Poder Judiciário e o Senado da República.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


