Carlos Viana e Marcelo Aro em rota de colisão
Além do afastamento do PL de Flávio Roscoe, articulação de Mateus Simões para a filiação do senador ao PSD sinaliza para o entendimento do governador de que a Federação União Progressista, prometida por Aro, poderá estar em outro palanque.

A filiação do senador Carlos Viana ao PSD foi recebida como uma “traição” pelo grupo político do secretário de estado de Governo, Marcelo Aro, do PP, que se desincompatibiliza do cargo nesta quinta-feira para concorrer ao Senado Federal. Viana, candidato à reeleição, estava filiado ao Podemos, partido que é presidido em Minas pela deputada federal Nely Aquino, que integra a chamada Família Aro. O senador sabia que não teria espaço no Podemos: buscava um novo partido. O governador Mateus Simões (PSD) e o presidente estadual do PSD, Cássio Soares conduziram a articulação junto a Gilberto Kassab.
Viana no PSD significa que uma das vagas da chapa majoritária para concorrer ao Senado Federal será destinada a ele. A outra vaga, em princípio, é reservada a Marcelo Aro, caso ele traga a Federação União PP, como prometeu, para a coligação de Mateus Simões.
Aro tem outros planos: não quer Viana na chapa. De olho no segundo voto bolsonarista para o Senado, ele trabalha para atrair o PL à coligação de Mateus Simões. O deputado federal Domingos Sávio é o pré-candidato do PL ao Senado e será confirmado em data ainda a ser confirmada, em ato ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em Belo Horizonte.
Por seu turno, Mateus Simões avalia que o PL, ao filiar o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, terá candidatura própria ao governo de Minas. Além disso, Gilberto Kassab sinaliza claramente que pretende conduzir o PSD por um caminho nem ligado ao bolsonarismo, nem ligado ao lulismo: de certa forma, desdenhou do PL de Minas.
Mateus Simões também percebeu que, diferentemente do que prometeu Aro, que é do PP, a Federação União Progressista, poderá não estar em sua coligação.
O União Brasil que preside a federação em Minas com o prefeito Álvaro Damião, trabalha para uma coligação com o senador Rodrigo Pacheco, que se filiou nesta quarta-feira ao PSB e tem tudo para formalizar a sua candidatura ao governo de Minas. Um outro caminho não descartado pelo União Brasil é o apoio ao senador Cleitinho (Republicanos), também pré-candidato.
Mateus Simões não pretende terceirizar nem a gestão do governo nem a condução política, como fez Romeu Zema. Ele declarou nesta quarta-feira, no ato de filiação de Carlos Viana ao PSD, que Marcelo Aro está “um pouco estressado” com o momento. O governador afirmou que Aro é o seu pré-candidato ao Senado para uma das vagas, porque considera a federação União-PP “importantíssima” para a sua campanha. PP e União, juntos, têm 20% do tempo do Horário Eleitoral Gratuito, considerado essencial para Mateus Simões, que não é conhecido no estado.
Com essa frase, Mateus Simões também deu o seu recado: se Aro garantir a Federação União Progressista para a campanha dele, como prometeu, talvez a própria candidatura de Carlos Viana ao Senado possa ser reconsiderada.
Todas essas são rusgas da Quarta-feira Santa. Até a Sexta Feira da Paixão, ainda há muito por vir.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora