Pacheco no PSB, Roscoe no PL, Viana no PSD e o incômodo de Aro
Movimento de Pacheco mexe nas composições para alianças. Também a filiação de Viana ao PSD e a possibilidade de o PL ter candidatura própria expõem desencontros entre Aro e Mateus Simões

A filiação de Rodrigo Pacheco ao PSB foi confirmada no mesmo dia em que o presidente Lula (PT) anunciou a repetição da chapa à reeleição com o vice-presidente da República do PSB, Geraldo Alckmin. Com Pacheco no PSB, assim como no plano nacional, em Minas Gerais, estado apontado como síntese do país, o campo político de Lula tende a repetir e ampliar essa composição nacional, com o PSB na cabeça.
Pacheco filiado ao PSB e disponível para concorrer traz consequências para as composições de partidos políticos na sucessão mineira. Mesmo que não tenha anunciado formalmente a pré-candidatura, passa a exercer influência na formação dos leques de aliança de partidos políticos e de federações em tornos dos nomes colocados na sucessão estadual.
O destino da Federação União Progressista em Minas, que nesta eleição terá 20% do tempo de televisão, será agora formalmente disputado entre o campo de Rodrigo Pacheco e a candidatura à reeleição do governador Mateus Simões (PSD). A direção nacional do União Brasil já havia substituído o deputado federal Marcelo de Freitas – mais ligado a Mateus Simões - da presidência do União em Minas, colocando em seu lugar o deputado federal Rodrigo de Castro, mais próximo a Rodrigo Pacheco.
O prefeito Álvaro Damião (União) do grupo de Pacheco é quem preside a Federação União-PP em Minas. Com isso, se aprofunda o racha entre, de um lado, o PP que trabalhava para o apoio a Mateus Simões e o União Brasil, que estava indefinido, à espera da posição de Pacheco. O União também conversava com a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos). Com a sinalização da candidatura de Pacheco, a tendência é de que se intensifique esse cabo de guerra interno na federação de União e PP.
A disputa interna na federação União Progressista ganhou um novo capítulo com o anúncio da filiação do senador Carlos Viana, candidato à reeleição, que deixa o Podemos para ingressar no PSD. O Podemos é legenda presidida pela deputada federal Nely Aquino, que integra o grupo político da chamada “Família Aro”.
Viana chega ao PSD pelas mãos de Mateus Simões. E nesse movimento, incomodou Marcelo Aro, que está no PP, e deixará a Secretaria de Estado de Governo para concorrer ao Senado. Aro trabalhava para que o PP se aliasse a Mateus Simões e para atrair o PL para a coligação: nesse cenário, ele teria a primeira a primeira vaga da chapa para concorrer ao Senado e o deputado federal Domingos Sávio, do PL, teria a segunda vaga para o Senado.
Aro apostava nessa composição sonhando ganhar o segundo voto bolsonarista ao Senado. Viana no PSD atrapalha os planos de Aro: candidato à reeleição terá uma das vagas da chapa para concorrer ao Senado; a segunda vaga estaria entre Aro e o PL, a depender da evolução das composições. Quando soube da filiação de Carlos Viana ao PSD, Aro declarou que não foi consultado.
Apesar da aposta de Marcelo Aro na coligação com o PL, o partido tem outros planos em Minas. Uma banda trabalha para a composição com Mateus Simões. Uma segunda banda quer compor com Cleitinho. E um terceiro grupo ganha o reforço com a filiação do empresário Flávio Roscoe, que deixou a presidência da Fiemg.
O PL tem agora Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vitorio Mediolli: poderá ter candidatura própria ao governo de Minas. Carlos Viana no PSD é sinal que Mateus Simões tem clareza de que, diferentemente do cenário com que trabalha Aro, o PL poderá não estar em sua coligação: “Eu tenho uma segunda vaga que estava sendo discutida com o PL, mas o PL está filiando candidato a governador e, me parece, indicando que não está interessado em composição”, declarou Mateus à imprensa.
Embora viesse conversando bastante com Viana sobre essa filiação ao PSD, Mateus Simões procurou se desvencilhar da responsabilidade, tentando amenizar o desconforto com Aro: jogou para a direção nacional. “Se o Viana vai se filiar ao PSD, essa é uma discussão dele com a direção nacional”, acrescentou.
O incômodo entre Aro e Mateus se tornou público: "Não concordo com essa mexida, com esse movimento. Não fui consultado sobre isso e acho que nos coloca numa posição de desconforto, porque só tem duas vagas para o Senado, e agora nós temos três candidaturas. A minha candidatura, a candidatura do Domingos Sávio, que deve ser o indicado do PL, e, agora, a candidatura do Carlos Viana", declarou. Aro acrescentou: "Alguém vai sair dessa história chateado".
Em meio à “trombada” entre Aro e Mateus Simões, com a opção Carlos Viana ao Senado, o governador dá sinais de que, diferentemente de Romeu Zema, não irá terceirizar a condução política de sua campanha.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


