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Alcolumbre espera baixar a fervura para decidir sobre impeachment

São 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mais da metade contra Alexandre de Moraes e 54 deles propostos em 2025, ano do julgamento do núcleo central envolvido na tentativa de golpe de estado

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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). • Carlos Moura/Agência Senado

O escândalo envolvendo as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro animou a oposição. Em primeiro lugar, reativou a bandeira do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições, sobretudo entre candidatos ao Senado, o que no calor das denúncias, poderá render frutos eleitorais. Em segundo lugar, parlamentares bolsonaristas veem a oportunidade para impor um revés definitivo sobre Alexandre de Moraes, relator dos processos de envolvidos no núcleo central da tentativa de golpe de estado. Nesta quarta-feira, 2 de setembro, o senador Flávio Bolsonaro e outros parlamentares do PL, cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que dê seguimento aos processos aos processos de impeachment protocolados no Senado.

Desde 2021, o Senado Federal acumula, por diferentes motivações, 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 55 deles contra Alexandre de Moraes. Cinquenta e quatro pedidos de impeachment foram protocolados em 2025, ano do julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.

Ao cobrar de Alcolumbre, Flávio Bolsonaro acusou Alexandre de Moraes de promover a reaproximação política entre Lula e Alcolumbre: "Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência. Olhe a que nível chegou o 'trabalho', muito entre aspas, de um ministro do Supremo Tribunal Federal".

Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição, em particular a Flávio Bolsonaro e quis lembrar-lhe, que ele também tem pés de barros: mencionou o pedido de Flávio a Daniel Vorcaro, para fazer o filme da biografia de Jair Bolsonaro (PL), programado para ser exibido nesta campanha eleitoral. Sem mencionar o nome de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre declarou durante sessão plenária: "Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes".

Nesta terça-feira, 1º, foi revelado mais um repasse de Vorcaro para a produção do filme, no valor de US $ 1,6 milhão, que teria acontecido em setembro de 2025. A informação está em um dos inquéritos da Polícia Federal e foi identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Flávio havia afirmado que o último repasse feito por Vorcaro para o filme teria acontecido em maio de 2025, o que agora foi contrariado pelo relatório da Polícia Federal. Com este novo valor, o total pago por Daniel Vorcaro para produzir o filme de Bolsonaro, totaliza neste momento R$ 61 milhões.

Daniel Vorcaro é o pivô da maior crise institucional dos Poderes da República. No âmbito do STF, a situação de Alexandre de Moraes é insustentável. Alcolumbre tenta ganhar tempo aguardando abaixar a fervura das denúncias. Com a resposta, Alcolumbre quis dizer aos senadores: quem não pecou que atire a primeira pedra.

 

 

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