Eleger-se para a Assembleia de Minas ficou mais difícil
Apesar de o número de candidatos e partidos ter caído entre 2022 e 2026, o quociente eleitoral cresceu e também aumentou a competição pelo voto. PL foi a legenda que mais cresceu, de 12 para 21 deputados. As Federações PT-PV-PCdoB e Psol-Rede somam 19 cadeiras. A direita tradicional e o centro político se encolheram.

Será que foi mais fácil ou mais difícil eleger em Minas um deputado estadual nesta eleição de 2026 em relação à eleição de 2022? Desta vez, cada partido precisou de 146.868 para eleger um único deputado na Assembleia, cerca de 3 mil a mais do que na eleição passada. Este é o chamado quociente eleitoral. Ao mesmo tempo em que o número de candidatos caiu de 1.411 para 998, uma redução de quase 30%, a competição aumentou: os concorrentes, principalmente deputados estaduais, tinham em média bases eleitorais mais consolidadas.
Soma-se a isso o fato de que, no plano estadual, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o mais votado da história do país, dividiu o estado em regiões para, em cada uma delas, impulsionar os seus candidatos. Isso significa que, assim como aconteceu na disputa para deputado federal, em que Nikolas puxou votos de todos os deputados federais com bases territoriais, em cada região de Minas, houve candidaturas da bancada de Nikolas que também entraram nas bases das lideranças locais.
Dos 77 deputados estaduais eleitos, 68 concorreram à reeleição. Desses, 53 se reelegeram, uma taxa de sucesso de 77,9%. São 24 novatos, uma taxa de renovação de apenas 31,2%, a menor das duas últimas décadas. Entre os cinco deputados estaduais que disputaram a Câmara de Deputados, elegeram-se as deputadas Bella Gonçalves (PT) e Lohanna (PV) e o deputado Caporezzo (PL). Cássio Soares (PSD) e Carlos Pimenta (PSB) não tiveram sucesso.
Assim como ocorreu para a Câmara dos Deputados, o número de partidos que elegeram parlamentares diminuiu na Assembleia de 24 para 17, entre os quais há cinco federações – PT-PV-PCdoB, a Federação União Progressista, a Federação PSDB-Cidadania, a Federação Psol-Rede e a Federação PRD-Solidariedade. O PL foi a legenda que mais cresceu: saltou de 12 para 21 deputados eleitos, o equivalente a 27% do plenário. Entre eles está Bruno Engler, o mais votado da Casa: 675.940 votos. A segunda força política é a Federação PT-PV-PCdoB, que obteve 17 cadeiras, entre as quais 15 do PT e duas do PV.
Celinho do Sinttrocel, do PCdoB, não se reelegeu. O bloco da esquerda terá 19 parlamentares, com os dois eleitos pela Federação Psol-Rede. Os dois campos, PL e à esquerda, somam 40 deputados, pouco mais da metade do plenário. Isso significa que as legendas da direita tradicional e do centro perderam espaço.
As maiores bancadas do centro e da direita tradicional são do PSD, com 9 da Federação União e PP, com 8; do Republicanos, com 4; do PRD e do PSDB, com 3 cada. Esses 5 juntos somam mais 27 cadeiras. O MDB não conquistou nenhuma cadeira. As outras 10 estão pulverizadas entre seis partidos: Avante (2), PSB (2), Novo (2), Podemos (2), PDT (1) e Democrata (1). Com essa composição legislativa, o futuro governo Cleitinho precisará buscar governabilidade junto a um menor número de partidos. Mas, por vezes, poderá encontrar orientações políticas diferentes nas legendas, como, por exemplo, no PL, que terá pelo menos 9 deputados diretamente vinculados a Nikolas Ferreira, entre eles, o vereador Pablo Almeida.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


