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Caiado quer se firmar como terceira via

Troca de farpas com Eduardo Bolsonaro é uma forma de se afastar do bolsonarismo radical, ao mesmo tempo em que procura sinalizar ao eleitor da direita conservadora de que seria a alternativa mais “moderada” à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

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Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência pelo PSD. • Hellenn Reis / Assembleia Legislativa de Goiás.

Em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e ao novo tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros, Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Palácio do Planalto, marca posição se afastando de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

Sem mencionar o nome do filho 03 de Jair Bolsonaro, Caiado criticou o green card oferecido esta semana a Eduardo Bolsonaro e família pelo governo norte-americano. Pelo X, Caiado escreveu: “Green card, quem precisa é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano sem pagar pedágio”. E prosseguiu: “Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar!”

Pela mesma mídia social dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro rebateu, acusando Caiado de ter dado títulos de cidadania goiana a ministros do Supremo. E insinuou que o pré-candidato do PSD seria omisso em relação às condenações de fazendeiros envolvidos na trama golpista. Ele escreveu: “Green card quem precisa são os fazendeiros condenados no golpe da Disney, sobre o qual o senhor não fala nada. É o preço que o senhor paga para participar dos coquetéis do STF e da elite de Brasília? Dando cidadania goiana aos perseguidores, o senhor deixa claro a quem atenderia caso chegasse à presidência. E ainda vem falar de “autoridade moral” para governar o Brasil. Faça-me o favor…”

Ronaldo Caiado quer se afastar daqueles que identifica como bolsonaristas radicais, sinalizando ao eleitorado da direita, cansado da polarização, que pode ser uma alternativa conservadora “moderada”. Concorrem pelo título da terceira via Ronaldo Caiado, Renan Santos (Missão) e o ex-governador Romeu Zema (Novo). Os três apostam que, se conseguirem vencer Flávio Bolsonaro no primeiro turno, têm chances de apresentar melhor desempenho no confronto contra Lula no segundo turno.

Caiado vem se despontando nessa disputa. A mais recente pesquisa Genial Quaest aponta Lula com 40%; Flávio, 28%; e, na sequência, Caiado com 4%; Renan Santos com 3%; e Romeu Zema com 2% das intenções de voto. Nessa pesquisa, Caiado apresenta melhor desempenho entre eleitores independentes, concorre contra Zema entre eleitores da direita não bolsonarista e disputa com Renan Santos a interlocução com o eleitor bolsonarista.

A pesquisa é também sugestiva de que, entre os três prováveis nomes mais fortes que concorrem pela terceira via, Caiado poderá ter um melhor desempenho entre evangélicos. Além de bem-visto pelo setor produtivo nacional, - que não gostaria de ver Renan Santos se consolidar como alternativa —, o ex-governador de Goiás é considerado um candidato mais consistente do que Zema.

É nesse contexto em que Caiado enfrenta Eduardo Bolsonaro pelo X. Diante do tarifaço, que tende a cobrar dividendos políticos negativos da família Bolsonaro, Caiado marca, portanto, a sua posição. Fez a crítica a Eduardo Bolsonaro sem mencioná-lo, defendeu o produtor rural, mas não fechou as portas para manter o diálogo com o eleitor bolsonarista não eduardista.

 

 

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