Veja a trajetória da cápsula Artemis II até a Lua, dia a dia
Os quatro tripulantes da cápsula Orion devem sobrevoar a lua no dia 6 de abril, quando a nave passará pelo lado oculto da Lua sem contato com a terra

Pela primeira vez em mais de 50 anos, quatro humanos estão a caminho da Lua. A missão Artemis II decolou nessa quarta-feira (1°) e a viagem deve seguir até o dia 10 de abril, em meio à uma série de atividades ao longo dos dias, que culminará, inclusive, na vista da superfície lunar da janela da nave (veja a trajetória no fim da matéria).
A cápsula Orion decolou às 19h24 (horário de Brasília) no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete SLS, considerado o mais poderoso já operado pela NASA. A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Essa é a primeira vez que uma mulher e um homem negro vão à órbita da lua em uma viagem da agência.
“A bordo da Orion estão quatro exploradores extraordinários se preparando para o primeiro voo tripulado deste foguete e espaçonave, uma verdadeira missão de teste que os levará mais longe e mais rápido do que qualquer outro ser humano em uma geração”, disse o Administrador da NASA, Jared Isaacman.
“A Artemis II é o início de algo maior do que qualquer missão individual. Ela marca nosso retorno à Lua, não apenas para visitá-la, mas para eventualmente permanecermos em nossa Base Lunar, e estabelece as bases para os próximos grandes avanços”, continuou.
O pouso lunar não é um dos objetivos da missão, o foco é, na verdade, testar todos os sistemas da Orion em voo tripulado no espaço profundo antes de uma tentativa de pouso em missão futura. O voo demonstrará os sistemas de suporte à vida e lançará as bases para uma presença duradoura na Lua, visando futuras missões a Marte. A experiência é o primeiro teste tripulado.
“A Artemis II é um voo de teste, e o teste acaba de começar. A equipe que construiu, reparou e preparou este veículo para o voo entregou à nossa tripulação a máquina necessária para provar o que ela é capaz de fazer”, disse o Administrador Associado da NASA, Amit Kshatriya.
O sucesso da missão vai determinar em quanto tempo a NASA poderá lançar a Artemis III e, de fato, pousar na Lua.
Nos primeiros minutos de voo, os componentes do foguete foram descartados em sequência. Os propulsores laterais se separaram a 13 quilômetros de altitude com dois minutos de voo.
Já aos três minutos, o sistema de escape da cápsula foi descartado a 48 km de altura. Aos oito minutos, já no espaço exterior, o estágio central do foguete se desprendeu a 153 km de altitude e 28.500 km/h. Três horas e vinte minutos após a decolagem, o estágio superior também se separou, quando a cápsula Orion ficou finalmente sozinha em órbita da Terra.
O que acontece no dia 2?
A manobra mais importante da fase inicial acontece nesta quinta (2). O motor principal da Orion será acionado para a chamada injeção translunar, uma queima que tirará a nave da órbita terrestre e a colocará em rota definitiva para a Lua.
Esse movimento é uma virada sem volta. Assim, a partir desse momento, a gravidade da Terra e da Lua guiará a cápsula em uma trajetória de retorno livre, ou seja, mesmo que os motores falhem depois, a nave voltará para casa naturalmente.
"A queima que nos leva à Lua é também a nossa queima de reentrada", explicou a astronauta Christina Koch. "Antes mesmo de partirmos, já estamos entrando, e reconhecer isso exige que toda a equipe esteja pronta para a missão completa desde o início."
3 a 5 de abril
A tripulação seguirá em direção à Lua em uma rota definida, ao passo em que testará os sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres.
Os astronautas também vão praticar procedimentos de emergência e manobras de pilotagem manual, com pequenas queimas de ajuste de rota ao longo do caminho.
No final do domingo (5), a Orion entra na esfera de influência gravitacional da Lua, o ponto em que a atração lunar passa a ser maior do que a terrestre.
6 de abril: a Lua na janela
O ponto alto de toda a missão ocorre na segunda-feira (6), quando a Orion passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar. Da janela da cápsula, será possível ver a Lua do tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço esticado.
Contudo, um detalhe torna esse momento ainda mais intenso: ao passar pelo lado oculto da Lua, a nave ficará sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos, bloqueada pelo próprio corpo lunar.
"Para os 45 minutos em que estaremos mais perto da superfície lunar, também estaremos fora de contato", disse Victor Glover, piloto da missão. "Eu adoraria que o mundo inteiro pudesse estar torcendo e rezando para que a gente restabeleça o sinal."
Nesse período, os astronautas vão fotografar e observar regiões do lado oculto da Lua que nunca foram vistas por olhos humanos. A tripulação também vai tentar capturar novas imagens da chamada Ascensão da Terra, o planeta surgindo sobre a superfície lunar desolada.
7 a 9 de abril
Após o sobrevoo lunar, começa o retorno. A Orion não precisará de uma grande queima de motor: a gravidade fará o trabalho.
A tripulação continuará realizando testes de pilotagem, avaliações dos sistemas de energia e controle térmico, além de pequenas queimas de correção de trajetória para preparar a reentrada.
10 de abril
O encerramento da missão está programado para sexta-feira (10), quando o módulo de serviço da Orion se separará e se destruirá na atmosfera.
A cápsula tripulada entrará em velocidade de cerca de 40.000 km/h, aquecendo o escudo térmico a aproximadamente 1.650°C, um dos principais testes de todo o programa.
Os paraquedas serão acionados para desacelerar a descida até o pouso no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, na Califórnia. As equipes da Marinha americana estarão posicionadas para recuperar a cápsula em menos de duas horas.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



