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O fim dos aplicativos? Entenda como a IA proativa pode mudar o uso dos smartphones

Especialista da Samsung explica como a inteligência artificial evolui da geração de conteúdo para sistemas capazes de compreender contexto, automatizar tarefas e integrar dispositivos

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Inteligência Artificial nos smartphones chegou a novos níveis
Inteligência Artificial nos smartphones chegou a novos níveis • Divulgação/Samsung

A inteligência artificial nos smartphones caminha para uma nova etapa. Depois da popularização das ferramentas capazes de criar textos, imagens e responder perguntas, fabricantes começam a apostar em sistemas que vão além dos comandos do usuário. A proposta agora é fazer com que o celular compreenda contexto, conecte informações e antecipe algumas necessidades do dia a dia.

Essa mudança, conhecida como transição da IA generativa para a IA proativa, foi um dos principais temas apresentados pela Samsung durante o lançamento da linha Galaxy S26. Em entrevista à Itatiaia, o gerente sênior de Produto da Samsung Brasil, Renato Citrini, explicou como a empresa enxerga essa evolução e quais impactos ela pode ter na experiência dos usuários.

Segundo Citrini, a diferença está na forma como a inteligência artificial participa das tarefas. "O smartphone deixa de ser apenas uma ferramenta que responde comandos e passa a atuar como um assistente inteligente, capaz de conectar informações, compreender diferentes tipos de conteúdo e facilitar o dia a dia", afirma.

Na prática, isso significa reduzir etapas para realizar ações rotineiras, como organizar compromissos, encontrar documentos, pesquisar informações ou compartilhar conteúdos entre aplicativos.

A inteligência artificial deixa de apenas responder perguntas

Nos últimos anos, a IA generativa ganhou espaço ao permitir que usuários produzissem textos, imagens e resumos por meio de comandos em linguagem natural. Agora, a tendência é que a inteligência artificial também consiga interpretar diferentes informações ao mesmo tempo.

Entre os exemplos citados por Citrini estão buscas em galerias de fotos utilizando frases naturais, ferramentas que editam imagens a partir de comandos de texto e sistemas capazes de compreender mensagens, calendário e aplicativos simultaneamente para sugerir ações automaticamente.

A proposta é que parte dessas tarefas aconteça em segundo plano, reduzindo a necessidade de alternar entre diferentes aplicativos.

Conveniência sem retirar o controle do usuário

O avanço da IA também levanta discussões sobre até que ponto os sistemas devem tomar decisões de forma automática. Para Citrini, a inteligência artificial deve facilitar atividades repetitivas, mas sem substituir as escolhas do usuário.

Segundo ele, a pessoa continua definindo quais recursos utilizar, quais permissões conceder e como deseja interagir com o aparelho. "O usuário continua no controle da experiência", afirmou.

Privacidade passa a ser um dos principais temas da nova geração de IA

Quanto mais contextual a inteligência artificial se torna, maior também é a preocupação com a utilização de dados pessoais. Na avaliação da Samsung, a proteção dessas informações precisa fazer parte da arquitetura dos sistemas desde sua concepção.

Citrini explica que parte do processamento acontece diretamente no próprio aparelho e, quando necessário, complementado pela nuvem. Segundo ele, tecnologias como Samsung Knox, Personal Data Engine, Knox Enhanced Encrypted Protection (KEEP) e Knox Vault foram desenvolvidas para proteger dados sensíveis durante esse processo.

Além disso, o executivo afirma que o usuário pode controlar permissões e configurações relacionadas aos recursos de inteligência artificial.

Objetivo não é aumentar o tempo de uso do celular

Apesar da evolução da IA ampliar o número de funções disponíveis, a expectativa da Samsung é que isso reduza — e não aumente — o tempo gasto utilizando o smartphone. Segundo Citrini, a ideia é que a inteligência artificial elimine etapas desnecessárias para resolver tarefas com mais rapidez.

"O sucesso da inteligência artificial não está em fazer as pessoas usarem mais o smartphone, mas em permitir que elas resolvam suas necessidades mais rapidamente", afirmou.

IA deve integrar smartphones, relógios, TVs e outros dispositivos

Outro ponto destacado pelo executivo é que a inteligência artificial tende a extrapolar os smartphones e conectar diferentes equipamentos dentro de um mesmo ecossistema. A expectativa é que celulares, relógios inteligentes, televisores, eletrodomésticos e outros dispositivos compartilhem contexto para oferecer experiências contínuas, reduzindo a necessidade de configurações individuais.

Outros dispositivos serão 'afetados' pela IA • Divulgação/Samsung
Outros dispositivos serão 'afetados' pela IA • Divulgação/Samsung

Segundo Citrini, a tendência é que o smartphone continue ocupando uma posição central nessa integração, funcionando como o principal ponto de conexão entre os dispositivos.

Mercado ainda vive fase de amadurecimento

Apesar do avanço acelerado da tecnologia, Citrini acredita que o mercado ainda atravessa um período em que as expectativas podem superar as capacidades atuais da inteligência artificial.

Na avaliação dele, a evolução deve acontecer de forma gradual, priorizando aplicações que realmente entreguem benefícios práticos ao consumidor, em vez de apenas demonstrações tecnológicas. Para o executivo, uma IA útil é aquela que economiza tempo, reduz esforço e simplifica atividades do cotidiano sem exigir que o usuário aprenda uma nova forma de utilizar o smartphone.

Próximo passo será uma interação baseada em intenção

Olhando para os próximos anos, a expectativa da Samsung é que a interação com os smartphones deixe de depender da abertura de aplicativos específicos. Em vez disso, o usuário poderá apenas informar o objetivo desejado, enquanto a inteligência artificial coordena diferentes serviços para executar a tarefa.

Se essa previsão se confirmar, a tendência é que os smartphones passem a funcionar menos como uma coleção de aplicativos e mais como assistentes digitais capazes de interpretar contexto, conectar informações e realizar ações de forma integrada, mantendo o foco no resultado que o usuário deseja alcançar.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta de games.