Posts nas redes sociais espalham desinformação sobre TDAH, autismo, ansiedade e depressão
Pesquisa internacional alerta para riscos de autodiagnóstico e conteúdos sem base científica

Um estudo internacional acendeu um alerta sobre a qualidade das informações de saúde mental nas redes sociais. Segundo pesquisadores da Universidade de East Anglia (Inglaterra), uma parcela relevante dos conteúdos publicados nessas plataformas contém erros que podem confundir usuários, atrasar diagnósticos e prejudicar tratamentos.
A revisão analisou mais de 5 mil postagens das principais redes sociais, abordando temas como TDAH, autismo, ansiedade e depressão. Em alguns casos, até 56% dos conteúdos avaliados apresentaram algum tipo de desinformação.
Vídeos rápidos concentram maior volume de erros
Entre todas as plataformas analisadas, as que possuem sistema de visualização de vídeos rápidos foram identificadas como o ambiente com maior incidência de conteúdos imprecisos. Vídeos sobre TDAH, por exemplo, apresentaram mais da metade das informações incorretas, enquanto publicações sobre autismo também registraram altos índices de erro.
Os pesquisadores apontam que o modelo de funcionamento dessas redes, baseado em engajamento imediato e viralização, favorece a circulação de conteúdos chamativos, mesmo quando não têm respaldo científico.
Jovens são os mais vulneráveis
O impacto é ainda maior entre jovens, que frequentemente recorrem às redes sociais para entender sintomas e buscar possíveis diagnósticos. Esse comportamento pode levar à interpretação equivocada de situações comuns como transtornos mentais, além de atrasar a busca por ajuda profissional.
Segundo o estudo, a desinformação também reforça estigmas e dificulta o acesso a tratamentos adequados, criando um cenário preocupante para a saúde pública.
Preocupação
Em entrevista ao portal de notícias g1, a psiquiatra Isabella de Souza destacou que a disseminação de conteúdos incorretos representa um retrocesso no cuidado com a saúde mental.
"Essas informações errôneas impactam desastrosamente a vida de pessoas com transtornos mentais e seus familiares", afirmou. Segundo ela, conteúdos sem base científica podem induzir a diagnósticos e tratamentos inadequados, além de reforçar visões distorcidas sobre condições já bem estudadas.
A especialista também chamou atenção para o aumento de pessoas sem formação na área que produzem conteúdo sobre o tema. Muitas vezes, esses materiais são usados para autopromoção ou interesses pessoais, sem compromisso com a veracidade das informações.
Conteúdo confiável é minoria
A pesquisa também comparou a origem dos conteúdos e revelou uma diferença significativa. Apenas 3% dos vídeos produzidos por profissionais de saúde apresentaram erros, enquanto entre influenciadores e usuários comuns esse número chegou a 55%.
Apesar disso, conteúdos feitos por especialistas ainda representam uma pequena parcela do que circula nas redes.
Algoritmos ampliam o problema
Outro ponto crítico destacado pelos pesquisadores é o funcionamento dos algoritmos. Ao demonstrar interesse por determinado tema, o usuário passa a receber uma sequência de conteúdos semelhantes, criando as chamadas "câmaras de eco".
Esse efeito reforça informações repetidas, mesmo quando são incorretas, ampliando o alcance da desinformação.
Riscos vão além da informação errada
Especialistas alertam que o problema não está apenas no erro, mas nas consequências práticas. Diagnósticos equivocados podem atrasar tratamentos, enquanto promessas de cura sem evidência científica podem agravar quadros clínicos.
Há ainda preocupação com a banalização de transtornos mentais, quando emoções comuns do cotidiano passam a ser interpretadas como doenças, o que pode gerar frustração e dificultar o cuidado adequado.
Como se proteger da desinformação
Diante desse cenário, profissionais recomendam uma postura mais crítica ao consumir conteúdos sobre saúde mental. Verificar a formação de quem produz o material, buscar fontes confiáveis e evitar modismos são passos essenciais.
A principal orientação é não substituir o acompanhamento profissional por informações de redes sociais. O diagnóstico correto e o tratamento adequado ainda dependem da avaliação de especialistas qualificados.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



