Por que proibir redes sociais para adolescentes não elimina os perigos do ambiente digital
Estudo aponta que restrições de acesso podem ter efeito limitado e reforça a importância da educação digital, da supervisão familiar e de plataformas mais seguras

A proibição do acesso de adolescentes às redes sociais tem ganhado força em diferentes países como uma estratégia para proteger os jovens dos impactos negativos do ambiente digital. No entanto, um novo estudo publicado no 'British Medical Journal' indica que limitar o uso dessas plataformas, por si só, não é suficiente para reduzir os riscos enfrentados por essa faixa etária.
Segundo os pesquisadores, as redes sociais fazem parte de um sistema complexo de relações sociais, familiares e tecnológicas. Por isso, medidas baseadas apenas na restrição de acesso podem produzir resultados diferentes conforme o contexto em que cada adolescente vive, além de gerar consequências inesperadas.
A análise destaca que políticas de proibição não atacam as causas dos problemas associados ao uso das plataformas, como o funcionamento dos algoritmos, a exposição a conteúdos nocivos, o cyberbullying e a falta de educação digital. Em alguns casos, essas restrições podem até levar os adolescentes a buscar formas alternativas de acessar as redes, tornando sua atividade online menos visível para pais e responsáveis.
Os autores defendem que proteger os jovens exige uma combinação de estratégias. Entre elas estão o fortalecimento da alfabetização digital, a participação ativa das famílias, melhorias no desenho das plataformas e regulamentações que aumentem a responsabilidade das empresas de tecnologia pela segurança dos usuários mais novos.
O estudo também ressalta que adolescentes vivem realidades muito diferentes. Enquanto alguns contam com apoio familiar, acesso à educação de qualidade e acompanhamento constante, outros dependem das redes sociais para manter vínculos, aprender e participar da vida em comunidade. Por isso, uma única política dificilmente produzirá os mesmos resultados para todos.
Os pesquisadores afirmam que a formulação de políticas públicas deve considerar essas diferenças e ser baseada em evidências científicas, evitando soluções simplificadas para um problema que envolve fatores sociais, psicológicos e tecnológicos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



