Com a IA, você já está ou ficará desempregado
O maior risco, porém, não está apenas nas profissões que poderão ser automatizadas. Está também naquelas que continuarão existindo, mas passarão a exigir uma nova competência

O título pode parecer exagerado. Mas a história mostra que toda grande revolução tecnológica redefine o mercado de trabalho. Ela não pergunta se estamos preparados. Ela simplesmente muda as regras do jogo.
Durante décadas, ser datilógrafo era uma profissão extremamente valorizada. Escrever rápido e sem erros era um diferencial competitivo. Existiam cursos, certificações e empresas que contratavam profissionais exclusivamente por essa habilidade. Então chegaram os computadores pessoais. A profissão não acabou porque os datilógrafos deixaram de ser competentes; ela desapareceu porque a tecnologia tornou aquela habilidade desnecessária.
O mesmo aconteceu com operadores de telégrafo, reveladores de filmes fotográficos, atendentes de locadoras e tantas outras funções que pareciam indispensáveis, até deixarem de fazer sentido.
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Mais recentemente, vimos taxistas protestarem contra os aplicativos de transporte. Houve manifestações, processos judiciais, confrontos e inúmeras tentativas de impedir um novo modelo de negócio. Nada disso mudou o rumo da inovação. Os aplicativos permaneceram, transformaram a mobilidade urbana e obrigaram todo o setor a se reinventar. A tecnologia não pediu autorização para evoluir.
A Inteligência Artificial está entrando exatamente nesse momento da história. Ainda encontro profissionais que afirmam que "isso não vai funcionar", que "na minha profissão nunca vai dar certo" ou que "essa moda vai passar". Mas talvez estejam olhando para o problema da forma errada.
A IA não precisa eliminar uma profissão inteira para mudar um mercado. Basta assumir tarefas repetitivas, reduzir custos, aumentar a produtividade e permitir que uma única pessoa produza muito mais do que antes. Foi assim em todas as revoluções tecnológicas anteriores, e não há motivo para acreditar que desta vez será diferente.
O maior risco, porém, não está apenas nas profissões que poderão ser automatizadas. Está também naquelas que continuarão existindo, mas passarão a exigir uma nova competência. Há vinte anos, dominar a internet deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito básico em praticamente qualquer carreira. Hoje, ninguém imagina contratar um profissional que não saiba pesquisar informações, utilizar sistemas online ou trabalhar em um ambiente digital. Com a Inteligência Artificial acontecerá exatamente o mesmo.
Daqui a poucos anos, profissionais que utilizarem IA como extensão do próprio trabalho produzirão mais, tomarão decisões melhores, aprenderão mais rápido e entregarão resultados superiores. Eles disputarão as mesmas vagas que aqueles que decidiram ignorar essa tecnologia. Não será apenas uma competição entre pessoas. Será uma competição entre quem trabalha sozinho e quem trabalha ao lado da Inteligência Artificial.
Isso significa que muitos empregos não desaparecerão, mas muitos profissionais poderão perder espaço. Não porque a empresa decidiu substituí-los por uma máquina, mas porque outro colaborador, utilizando IA, conseguirá produzir duas, três ou cinco vezes mais. O desemprego da próxima década não será causado apenas pela automação. Em muitos casos, será provocado pela diferença de produtividade entre quem incorporou a IA ao seu trabalho e quem insistiu em trabalhar como fazia dez anos atrás.
O maior erro não é desconfiar da Inteligência Artificial. O maior erro é acreditar que ignorá-la fará com que ela desapareça. Podemos e devemos discutir ética, regulamentação, privacidade e os limites dessa tecnologia. Mas não podemos imaginar que a transformação deixará de acontecer porque decidimos resistir a ela. A história já respondeu essa pergunta muitas vezes: nenhuma revolução tecnológica esperou que todos estivessem prontos. A Inteligência Artificial também não vai esperar.
Talvez o verdadeiro debate não seja se a IA vai tirar o seu emprego. A pergunta mais importante é outra: quando surgir uma vaga na sua área, a empresa contratará alguém que trabalha sozinho ou alguém que entrega o dobro porque aprendeu a trabalhar com Inteligência Artificial? É essa resposta que definirá boa parte do mercado de trabalho na próxima década.
Henrique Borges, empreendedor, investidor e fundador da Somos Young, empresa brasileira líder no setor educacional e uma das referências no país na aplicação de inteligência artificial para jornadas de relacionamento, CRM, captação, atendimento e geração de receita. Com formação em Publicidade e Propaganda e pós-graduação em Inovação, Henrique atua no mercado digital desde 1999, liderando projetos de marketing, transformação digital, marketing direto e growth para grandes marcas e instituições, como Petrobras, Iveco, Mondaine, Minas Arena, Governo do Estado de Minas Gerais, GoPro, Airbnb e Canais Globosat, entre outros grandes players. À frente da Somos Young, construiu uma trajetória voltada à transformação de negócios por meio de tecnologia, dados, inteligência artificial e estratégia. A empresa atua em projetos para alguns dos principais grupos de educação do país, como Unifenas, Fumec, Uniube, PUCPR e Rede Claretiano. No futebol, Henrique lidera algumas das principais iniciativas de relacionamento com torcedores baseado em IA no Brasil, com projetos desenvolvidos para clubes como Cruzeiro, Corinthians, Vasco, Grêmio, Vitória, Bahia, Sport e Coritiba, entre outros. Henrique é reconhecido por defender uma visão prática e estratégica da inteligência artificial: não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova camada de inteligência capaz de transformar operações, ampliar receitas e redesenhar companhias inteiras por meio da tecnologia. Atualmente, também desenvolve iniciativas de conteúdo e autoridade sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, no trabalho e na sociedade, incluindo o podcast O Último Humano, disponível no Spotify.



