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Letalidade policial bate recorde contra juventude e grupo representa 60% das vítimas

Em 2025, forças policiais tiraram a vida de mais de 2.000 pessoas entre 18 e 29 anos de idade em 9 estados brasileiros

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Reprodução | Rovena Rosa (Agência Brasil)

A letalidade policial nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança encerrou o ano de 2025 com um foco brutal e definido: a juventude. Dos 4.330 mortos em intervenções do Estado, 2.804 eram jovens de até 29 anos, o que representa um total de 64,8% das vítimas. Desse total, 2.492 vítimas tinham entre 18 e 29 anos, faixa etária que, sozinha, representa 57,6% de todos os casos registrados.

O estudo também apontou que foram 310 vítimas entre 12 e 17 anos e duas crianças na faixa de 0 a 11 anos, ambas mortas no Rio de Janeiro. Os dados fazem parte da sétima edição do relatório "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", divulgado nesta terça-feira (1º). O levantamento aponta que o perfil das vítimas permanece praticamente inalterado ao longo dos anos: jovens, negros, moradores de periferias e, em sua maioria, homens.

Entre as vítimas cuja cor foi informada, 86,3% (3.104 pessoas) eram negras. Em estados como o Amazonas, esse índice chega a 96%, seguido por Pernambuco (94,4%) e Bahia (93,9%). Os nove estados analisados no relatório são: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança, a repetição desse perfil ao longo das sete edições do levantamento evidencia que o país ainda não conseguiu implementar políticas públicas capazes de proteger essa parcela da população. "Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas."

Ranking de idades por números de mortos:

Itatiaia.

O estudo foi elaborado com base em informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias de segurança de Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.