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Google é investigado por uso de conteúdo jornalístico por inteligência artificial

Processo vai investigar possível uso indevido de conteúdos de veículos de comunicação pela big tech

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Tela de computador ligada com destaque para a logo do Google
Google é investigado por uso de conteúdo jornalístico por inteligência artificial • Dragos Condrea

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia federal brasileira, decidiu abrir um processo para investigar o Google por suposto abuso de posição dominante no uso de notícias e conteúdos jornalísticos por ferramentas de inteligência artificial (IA). A decisão foi comunicada nessa quinta-feira (23).

A análise do tema começou no ano passado e o processo foi retomado em 8 de março com o voto do conselheiro Diogo Thomson, que defendeu uma investigação por meio de processo formal. O plenário decidiu, por unanimidade, instaurar um ato administrativo para investigar a conduta da empresa no tema e os impactos no mercado de notícias.

“Buscas impulsionadas por inteligência artificial tendem a ampliar ainda mais a extração de valor pelos mecanismos de buscas em detrimento dos editores de notícias”, justificou Diogo Thomson.

O conselheiro também afirmou que a coleta automatizada de conteúdos jornalísticos e a combinação com IA generativa, que sintetiza informações na interface de busca, altera a dinâmica de acesso, visibilidade e monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital.

Por sua vez, a conselheira Camila Cabral pontuou que o uso das notícias pelo Google acontece de forma “unilateral”, sem autorização prévia dos veículos de comunicação que produzem os conteúdos jornalísticos.

A decisão foi considerada “histórica” por Marcelo Antônio Reich, presidente executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). “O Cade demonstra que está na linha de frente de uma preocupação que não se limita a uma mera questão econômica”, afirmou.

A abertura do processo ocorre para apurar a utilização e exibição de conteúdos jornalísticos pelo Google sem a devida remuneração dos veículos que os produziram, além do desvio de tráfego, o que limita a receita com publicidade digital. O processo pode acarretar em sanções administrativas por infração econômica.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é uma autarquia federal brasileira, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que compõe o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). As funções do órgão incluem orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos do poder econômico, atuando na prevenção e na repressão.

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Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.

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