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'Dark patterns': como redes sociais usam truques para influenciar escolhas dos usuários

Investigação sobre Facebook e Instagram reacende debate sobre práticas de manipulação usadas por plataformas digitais para aumentar engajamento e coleta de dados

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As chamadas 'dark patterns', também conhecidas como padrões obscuros, estão no centro de uma investigação aberta na Irlanda contra a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram. O foco das autoridades europeias é descobrir se as plataformas utilizam estratégias de design capazes de manipular decisões dos usuários e dificultar escolhas mais transparentes.

Segundo a investigação, a suspeita é de que as redes sociais escondam opções importantes dentro de menus complexos para incentivar o uso de feeds personalizados, aumentando o tempo de permanência nas plataformas e a coleta de dados pessoais. As autoridades analisam ainda se algumas configurações são redefinidas automaticamente após o fechamento do aplicativo, obrigando o usuário a repetir mudanças feitas anteriormente.

Os 'dark patterns' são definidos como recursos de design criados para induzir comportamentos específicos, muitas vezes sem que o usuário perceba. Essas estratégias exploram fatores como pressa, distração, medo de perder algo ou até culpa para levar pessoas a aceitarem rastreamento de dados, assinarem serviços ou compartilharem informações pessoais.

Um dos exemplos mais comuns apontados na reportagem é o chamado 'confirmshaming'. Nesse modelo, o botão para aceitar determinada condição aparece destacado, colorido e visível, enquanto a opção de recusa surge escondida ou acompanhada de frases constrangedoras, como 'Não, prefiro continuar vendo anúncios irrelevantes'.

As investigações se baseiam na Lei de Serviços Digitais da União Europeia, criada para ampliar a transparência das plataformas online e garantir maior controle aos usuários sobre os algoritmos que determinam o conteúdo exibido nas redes sociais. Caso sejam confirmadas irregularidades, as multas podem chegar a até 6% do faturamento global anual da empresa.

Especialistas alertam que essas práticas não estão restritas às redes sociais. Sites de compras, aplicativos, jogos para celular e plataformas de streaming também utilizam mecanismos semelhantes para aumentar vendas, assinaturas e tempo de uso.

Estudos acadêmicos mostram que esses padrões manipulativos podem influenciar diretamente decisões de consumo e comportamento online.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.