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Como funciona o escudo térmico que protegeu a Artemis II na reentrada à Terra

Tecnologia é essencial para suportar temperaturas acima de 2.700 °C durante a fase mais crítica da missão

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Jeremy Hansen, Reid Wiseman e Victor Glover trabalham na missão Artemis II a caminho da Lua • Nasa

A missão Artemis II, primeira viagem tripulada da Nasa à Lua em décadas, avança para sua fase mais crítica: a reentrada na atmosfera terrestre, considerada uma das etapas mais arriscadas do voo espacial. Após enfrentar desafios na decolagem, em 1º de abril, e atravessar regiões de intensa radiação no trajeto até a Lua, os astronautas agora se preparam para o retorno à Terra em velocidades superiores a 30 vezes a do som. Nesse momento, a cápsula Orion enfrentará temperaturas que podem ultrapassar 2.760 °C, provocadas pela compressão extrema do ar durante a descida.

A preocupação central está no desempenho do escudo térmico da nave, componente essencial para proteger a tripulação. O equipamento é semelhante ao utilizado na missão não tripulada Artemis I, em 2022, que apresentou rachaduras e marcas de impacto após o retorno, levantando dúvidas sobre a resistência do material, conhecido como Avcoat.

Apesar dos danos observados anteriormente, a Nasa afirma estar confiante na segurança da missão. Segundo a agência, ajustes na trajetória de reentrada devem reduzir o estresse térmico sobre a cápsula. Diferentemente da Artemis I, que utilizou uma técnica de “salto” na atmosfera, a Artemis II adotará um perfil de descida contínua, com condições de aquecimento consideradas mais controladas. “A tripulação vai colocar suas vidas por trás dessa confiança”, afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, ressaltando que todos os sistemas da missão dependem dos minutos finais do voo.

A agência reconhece que o escudo térmico atual “não é ideal”, mas sustenta que investigações e testes realizados ao longo de mais de um ano permitiram compreender melhor o comportamento do material e mitigar riscos. Ainda assim, especialistas divergem. O ex-astronauta e pesquisador Charlie Camarda criticou a decisão de enviar tripulação com um sistema que apresentou falhas anteriores. Para ele, a medida é “irresponsável” e carece de validação completa sobre possíveis falhas durante a reentrada.

Outros especialistas, no entanto, avaliam que a Nasa conseguiu identificar a causa dos problemas e estabelecer condições seguras para o retorno. A própria tripulação também demonstra confiança na estratégia adotada. Sem possibilidade de escape nessa fase da missão, uma eventual falha no escudo térmico teria consequências catastróficas. Por isso, o desempenho do equipamento será monitorado de perto desde o momento do pouso no oceano, na costa da Califórnia, quando equipes iniciarão imediatamente a inspeção da cápsula.

A expectativa da Nasa é que ajustes futuros no material do escudo térmico sejam incorporados já nas próximas missões do programa Artemis, incluindo a Artemis III.

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