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Delegada acusada de atirar em policiais durante live é julgada em BH: ‘agressiva’, disseram vítimas

Ré ficou mais de 30 horas trancada em seu apartamento, na Pampulha, e transmitiu ação em live no Instagram; ela é acusada de quatro tentativas de homicídio contra policiais

Caso aconteceu em novembro de 2023

O julgamento da delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Monah Zein, que ficou famosa em todo o país após após se trancar por mais de 30 horas em seu apartamento e ser acusada de atirar em policiais, começou na manhã desta quarta-feira (30). A servidora é acusada de tentativa de homicídio contra quatro policiais.

As quatro vítimas foram ouvidas durante a audiência. Todas elas disseram que a delegada negou qualquer tipo de ajuda oferecida pelos policiais no dia do crime. Segundo os agentes, o protocolo de gerenciamento de crises foi aplicado durante o tempo em que Monah permaneceu trancada no apartamento. Os policiais disseram que só pediram para que a delegada entregasse a arma e saísse de casa.

Os agentes afirmam que Monah foi “agressiva” durante a ação e, após negociação, ela saiu com um revólver em mãos, se aproximou da equipe que estava na porta do apartamento e encostou a arma no escudo dos policiais. Nesse momento, eles alegam que um dos agentes disparou uma arma de choque elétrico (taser), de menor potencial ofensivo, para conter a delegada, já que ela estava prestes a atirar.

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O policial que disparou o taser contra Monah contou que o equipamento falhou e que, depois disso, ela atirou quatro vezes na direção da equipe, que estava protegida pelos escudos. Um deles revidou com um tiro de bala de borracha, que não atingiu a delegada. Os agentes afirmam que não usaram arma de fogo contra a ré.

Ainda de acordo com a oitiva, os policiais contaram que Monah entrou para dentro do apartamento após os disparos. Foram quase 48 horas de negociação para que ela saísse. Em um determinado momento, a servidora abriu a porta e entregou uma de suas armas. Ela só foi presa na manhã seguinte quando foi passear com o cachorro em um shopping.

O que disse a delegada

A juíza Ana Carolina Rauen, do Tribunal do Júri 1º Sumariante de Belo Horizonte, interrogou a delegada Monah Zein após ouvir as quatro vítimas e outras 10 testemunhas de defesa e acusação. A ré usou o direito de ficar em silêncio e só reafirmou que estava sendo perseguida dentro da Polícia Civil.

A delegada afirmou que se afastou da corporação por causa de uma licença médica “para não adoecer e para cuidar da saúde”. Ela disse ainda que era por isso que ela pediu para não ter contato com ninguém da Polícia Civil no dia do crime.

Após as oitivas, a magistrada vai decidir se Monah irá a júri popular, se o processo será arquivado ou se ela será absolvida. Ainda não há data para que a tomada de decisão.

Relembre o caso

Equipes da Polícia Civil foram empenhados até o apartamento da delegada Monah Zein, de 38 anos, após ela enviar mensagens com teor de risco à própria saúde em um grupo de amigos e colegas de trabalho. Diante da situação, agentes de apoio se descolaram até o prédio em que Monah mora, na Pampulha, na manhã do dia 21 de novembro de 2023, e tentaram manter contato com a mulher, que estava exaltada com a situação.

Ela realizou uma live em seu Instagram mostrando o momento da abordagem e questionou a ação dos policiais, dizendo que eles não possuíam um mandado para estar ali e que ela estava se sentindo ameaçada. Ainda de acordo com a delegada, um disparo foi realizado por ela contra a equipe após eles atirarem nela com um taser, uma arma de choque, informação confirmada pelo porta-voz da Polícia Civil, delegado Saulo Castro.

Monah Zein foi presa no dia 23 de novembro de 2023, após ficar mais de 30 horas trancada dentro do próprio apartamento. A delegada foi solta no dia seguinte, durante a audiência de custódia. Na época, a Polícia Civil pediu a internação hospitalar provisória por ‘incidente de sanidade mental’ e suspendeu o exercício da função da delegada, solicitando o recolhimento da arma, carteira funcional e distintivo.

Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.