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Advogada presa por injúria racial contra funcionário da Azul em Confins é destituída de cargo na OAB

Luana Otoni de Paula André era presidente da Comissão de Direito da Moda da OAB-MG; ela foi presa, nesse domingo (23), por injúria racial e lesão corporal

A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) destituiu, nesta segunda-feira (24), Luana Otoni de Paula André da presidência da Comissão de Direito da Moda. A advogada foi presa em flagrante, na noite de domingo (23), após agredir um funcionário da companhia aérea Azul, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG).

Câmeras de segurança do aeroporto flagraram a ação da mulher. Nas imagens é possível ver ela dando tapas no rosto e no corpo do rapaz, que tenta se desviar. Além da agressão, a mulher também chamou a vítima de “macaco, preto, cretino, babaca”. Ela é investigada por injúria racial e lesão corporal.

O documento, assinado pelo presidente da OAB-MG, Sérgio Leonardo, revoga o cargo da advogada na instituição a partir desta segunda.

“O Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Minas Gerais, no uso de suas atribuições legais, resolve: revogar a nomeação da advogada Dra. Luana Otoni de Paula André do cargo de presidente da Comissão de Direito da Moda da OAB-MG. Esta portaria entra em vigor nesta data”, diz o documento assinado por Sergio Leonardo, presidente da OAB-MG.

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‘Comportamento inadequado’

De acordo com o boletim de ocorrência, a advogada havia sido expulsa de uma aeronave da Azul por “comportamento inadequado”. A passageira tinha embarcado no voo da companhia Azul de código AD2562, previsto para decolar às 13h30 de Belo Horizonte com destino a Natal.

No entanto, antes da decolagem, Luana foi retirada da aeronave por comportamento indevido. Na saída, quando já estava no finger (ponte que liga a aeronave à sala de embarque), a mulher agrediu física e verbalmente o supervisor da companhia aérea, dizendo insultos racistas. O caso foi registrado pela Polícia Federal e também pela Polícia Militar no aeroporto.

Mulher estava com sintomas de embriaguez

Conforme o gerente operacional da Azul no aeroporto, que foi agredido pela passageira, a advogada caiu na ponte de acesso ao avião, “demonstrando estar com sintomas de embriaguez alcoólica”. Ele, então, foi ao assento dela, ofereceu atendimento médico e convidou-a a sair da aeronave. Este seria o protocolo da Aviação Civil, segundo o gerente.

Ainda segundo o gerente, o comandante da aeronave acionou o posto médico, mas não houve atendimento. Com isso, o comandante da aeronave proibiu o reembarque da passageira, quando foi chamado por ela de “comandantezinho”.

Fora da aeronave, Luana foi informada que seria colocada em outro voo. Ao ter seus pertences restituídos, ela iniciou as agressões, segundo o Boletim de Ocorrência. A mulher proferiu injúrias raciais contra o gerente operacional, chamando-o de “macaco”, “preto”, “vagabundo”.

A advogada menosprezou o cargo dele, que chamou de “empreguinho” e disse: “você precisa mostrar trabalho, babaca, você está feliz por desembarcar uma patricinha do avião”. Ela, então, começou a dar chutes, socos e tapas no rosto da vítima. Segundo o registro, o funcionário não apresentou lesões e dispensou atendimento médico.

Ofensas

Um segundo funcionário da Azul, agente aeroportuário que auxiliava na situação, também foi ofendido por Luana. Além de confirmar o relato do gerente operacional, ele afirmou que, ao se aproximar da advogada, ela o chamou de “pobre” e “ferrado”.

Os dois funcionários da Azul acionaram a Polícia Federal e a segurança do Aeroporto, pois estavam em área restrita. Toda a ação foi filmada, inclusive as agressões, e os vídeos foram entregues à polícia.

“Playboys”

Os policiais que atenderam a ocorrência também foram agredidos verbalmente pela mulher. No boletim de ocorrência, eles relatam que, durante a prisão, foram chamados de “playboys que viraram policiais”, “moleques” e “babacas”. A mulher recebeu voz de prisão, foi levada ao posto militar para registro da ocorrência e demonstrou estar “muito alterada” e sob efeito de álcool.


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Cursou jornalismo no Unileste - Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012 se mudou para a Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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