Sete em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos, segundo a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, divulgada nesta quinta-feira (5). O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, que entrevistou 3,5 mil pessoas em dezembro de 2025 em dez capitais brasileiras.
Entre as 2.066 mulheres ouvidas, 71% relataram ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares ou casas noturnas e transporte particular. As ruas e espaços públicos lideram as ocorrências, citados por 54% das entrevistadas, seguidos do transporte público (50%) e do ambiente de trabalho (36%).
Bares e casas noturnas foram mencionados por 32% das mulheres, enquanto o ambiente familiar aparece em 26% das respostas. Já o transporte particular, como táxi ou aplicativos, foi citado por 19%. Segundo a pesquisa, 5% das entrevistadas disseram ter sofrido assédio em todos os seis espaços avaliados.
Leia também
Apesar de registrar leve queda em relação a 2014, quando o índice era de 74%, os pesquisadores avaliam que o número ainda é elevado. Para a diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, a insegurança feminina nos espaços urbanos permanece recorrente e afeta diretamente o direito das mulheres à cidade.
Quando questionados sobre medidas para enfrentar o problema, 55% dos entrevistados defenderam o aumento das penas contra agressores. Outros 48% apontaram a necessidade de ampliar os serviços de proteção às vítimas, enquanto 37% defenderam maior agilidade nas investigações de denúncias.
Especialistas também ressaltaram a importância de fortalecer redes de apoio e políticas públicas de proteção às mulheres. Para a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, o combate à violência de gênero não deve se limitar ao endurecimento das penas, mas envolver ações de prevenção e acolhimento às vítimas.
A pesquisa também investigou a divisão de tarefas domésticas. No total da amostra, 39% dos entrevistados disseram que as atividades da casa são responsabilidade de todos, mas realizadas majoritariamente por mulheres, enquanto 37% afirmaram que há divisão igualitária.
A percepção varia entre homens e mulheres: 47% dos homens acreditam que as tarefas domésticas são divididas igualmente, índice que cai para 28% entre as mulheres. Além disso, 44% das mulheres afirmam que realizam a maior parte das atividades domésticas, percepção compartilhada por 32% dos homens.
* Com informações de Agência Brasil