A apreensão recente de duas cobras-do-milho, espécie não venenosa nativa dos Estados Unidos, deixa as autoridades de Minas em alerta para o tráfico de animais exóticos em Minas Gerais. As serpentes, encontradas pela Polícia Civil em três diferentes endereços da cidade de Lavras, no Sul de Minas, foram enviadas pelos Correios.
De acordo com o chefe de Serviços Animais Peçonhentos (SAP) da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Rômulo Righi Toledo, com o advento da modernidade, o potencial desses animais, tanto para fins medicinais quanto para empreendimentos comerciais, se tornou promissor e alerta:
“O comércio ilegal de cobras é um risco à saúde pública, principalmente quando se trata de serpentes venenosas não nativas do Brasil, suscetíveis a acidentes com humanos. Não possuímos soros específicos para o tratamento nesses casos”, disse, lembrando que os responsáveis podem responder criminalmente.
“O comércio ilegal de cobras é um risco à saúde pública, principalmente quando se trata de serpentes venenosas não nativas do Brasil, suscetíveis a acidentes com humanos. Não possuímos soros específicos para o tratamento nesses casos”, reforça.
A Funed ressalta que as serpentes têm despertado interesse do mercado de animais de estimação, uma vez que o fator exclusividade pode ser um atrativo a mais nesse aspecto. E lembra que no caso da cobra-do-milho, mesmo sendo dócil, ela pode atacar agindo por estrangulamento, em situações extremas.
Veneno
A Funed, que é vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), conta com um criadouro científico de serpentes para extração dos venenos utilizados na produção de antídotos, que são distribuídos na rede pública. Por isso, a Fundação é autorizada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) para atuar nesse segmento.
“Mantemos espécies peçonhentas como as jararacas, jararacuçu, caiçaca, urutu e cascavel. Também há cobras não venenosas, que é o caso da jiboia, caninana, salamanta, cobra-corre-campo, cobra-do-leite, falsa-coral, cobra-verde, cobra-cipó-bicuda, suaçuboia, cobra corredeira, píton bola e, inclusive, a cobra-do-milho. O nosso interesse é totalmente medicinal e científico. Por isso, não comercializamos, emprestamos e nem doamos esses animais para particulares”, explica.
Somente, em 2023, a Funed recebeu 323 serpentes de todo o estado. A instituição recebe apenas cobras vivas, independentemente de serem venenosas ou não. Esse serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana. “Quem resgatar esses animais deve mantê-los por pouco tempo em uma caixa vedada com uma pequena abertura para ventilação em local sombreado. Não é necessário água ou alimentação, basta entregá-las na portaria da Funed”, explica Rômulo Toledo.
Atualmente, a exposição do serpentário da Fundação encontra-se suspensa para visitação. O espaço deve passar por obras, em breve, para atender aos critérios específicos de visitação, considerando ainda a segurança, acessibilidade e bem-estar dos animais.
Sobre criação de serpentes
A procedência de serpentes e o criadouro devem estar de acordo com critérios do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF);
O tráfico, aquisição e a manutenção ilegal de animais silvestres ou exóticos em cativeiros são crimes, sujeitos à multa e detenção;
Experiências dolorosas ou cruéis com animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, sem autorização de órgão competente, também é crime;
Em caso de cativeiro clandestino, denuncie a ação à polícia.