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‘Moradores da Savassi precisam dormir': faixa acende debate entre moradores e comerciantes sobre barulho

O uso das ruas e calçadas para colocação de mesas e cadeiras também é motivo de queixa de quem mora na região

Barulho de madrugada: um problema que parece longe de ter uma solução definitiva. De um lado, os moradores da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Do outro, os clientes e os donos de bares e restaurantes da área boêmia. O embate surgiu depois de uma faixa dizendo “moradores da Savassi precisam dormir” ser fixada na rua Sergipe no fim da semana passada. Nesta segunda (20), o pedido já não estava mais lá.

Há 12 anos morando no mesmo prédio, a aposentada Arlene Portela, de 67 anos, disse que já não aguenta mais os barulhos e que pensa, inclusive, em mudar do bairro. “A gente realmente não sabe mais o que fazer. O poder público realmente nos abandonou. Já tem 12 anos que eu não sei o que é dormir à noite toda. Às vezes, acordo assustada com o barulho que eles fazem. Tenho uma esperança de que melhorará. No bairro de Lourdes, eles (comerciantes e poder público) fizeram um acordo com os proprietários dos estabelecimentos e de bares e restaurantes”, disse.

Sujeira

Outro morador, que pediu para não ser identificado com medo de retaliação por parte dos comerciantes da região, disse que o barulho é perto do insuportável.

Além disso, ele denuncia sujeira na rua e mau cheiro provocado por urina e fezes nas portas dos prédios. “Estamos atordoados aqui na rua do Sergipe, no cruzamento entre a rua Fernandes Tourinho até a avenida Contorno. Têm vários estabelecimentos, acionam um altíssimo volume e isso transforma nossa noite em um caos. Como a maioria dos bares é pequena, o pessoal bebe no meio da rua, muitas vezes fazem as necessidades lá", afirmou.

Janela acústica

O arquiteto Antônio Valadares, de 44 anos, conta que precisou equipar o apartamento onde mora com a família com janelas acústicas, na tentativa de diminuir o barulho. “Na minha casa, a gente tem janela acústica nos quartos, mas não temos na sala. Isso faz com que o nosso convívio noturno seja exclusivamente na área íntima, a gente não fica na sala. O ar-condicionado tem que ficar ligado o dia inteiro porque é inviável fazer home office ou assistir filme... É muito barulho o tempo inteiro, é muito difícil”, falou.

Na próxima sexta-feira, haverá na Câmara Municipal, uma audiência pública para ouvir a sociedade civil.

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O que dizem os bares

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de Minas Gerais disse, por meio de nota, que reitera seu compromisso em encontrar soluções eficazes para minimizar a questão da poluição sonora. “Estamos em constante diálogo com as autoridades municipais, especialmente com a Prefeitura de Belo Horizonte, para colaborar na busca por medidas que conciliem a atividade econômica dos estabelecimentos com o bem-estar da população”, disse.

Contudo, o comunicado destaca que os bares e restaurantes desempenham um “papel fundamental na economia local, gerando empregos e fomentando o turismo gastronômico”. Segundo a legislação, os estabelecimentos têm o direito de operar até 1h da manhã nas calçadas, desde que observadas as normas de controle de ruído estabelecidas.

“Uma observação importante é que os ruídos não necessariamente vêm dos bares. Muitas vezes, são pessoas nas ruas, após o fechamento dos estabelecimentos, que acabam se estendendo pela madrugada. Tudo deve ser avaliado”, continuou.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que explicou, por meio de nota, que a equipe de fiscalização de controle urbanístico e ambiental faz ações educativas frequentes junto aos donos de bares e a comunidade na Savassi e que essas ações, além da fiscalização, serão intensificadas.

Uma reunião deve acontecer nesta semana com os moradores. Ainda, segundo nota da prefeitura, entre janeiro e abril deste ano foram quase 3.500 reclamações — número que reduziu quando comparado com o mesmo período do ano passado, que passou de 4.100 relatos. Resultado, conforme o município, de ações educativas e fiscais de poluição sonora.

“Caso os ruídos emitidos pelo estabelecimento estejam acima dos limites permitidos pela legislação, o cidadão deve acionar os canais oficiais da Prefeitura: Portal de Serviços, telefone 156 e PBH APP”, informou.


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Jornalista graduada pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2005. Atua como repórter de cidades na Rádio Itatiaia desde 2022
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