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Suspeito de balear Sargento da PM passa por audiência de custódia neste domingo (7)

Outro preso no caso também será ouvido; PM está internado e tem quadro gravíssimo

Welbert de Souza Fagundes, de 26 anos, suspeito de balear o sargento Roger Dias da Cunha na última sexta-feira (5), no bairro Novo Aarão Reis, região norte de Belo Horizonte, vai passar por audiência de custódia neste domingo (7).

A audiência está marcada para as 10h50, no Fórum Lafaiete, em Belo Horizonte.

Também será ouvido Geovanni Faria de Carvalho, 34 anos. Ele é o segundo suspeito de participação no crime e foi preso pela polícia após denúncias anônimas. A audiência dele será às 11h.

O Conselho Nacional de Justiça explica que a audiência de custódia é o momento em que o preso é apresentado ao juiz e é avaliada a prisão em flagrante e a necessidade da manutenção da reclusão e por quanto tempo. Além do juiz, também são ouvidos o Ministério Público e os advogados do custodiado.

O crime

A Major Layla Brunella, porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, detalhou a ocorrência durante entrevista coletiva na tarde de sábado (6). O Sargento Roger Dias da Cunha, de 29 anos, estava trabalhando quando foi acionado para um cerco policial durante ocorrência no bairro Aarão Reis.

A guarnição em que ele atuava perseguia um veículo Uno, em que estavam Welbert e Geovanni. Em determinado momento, os suspeitos atingiram um motociclista, desceram do carro e seguiram fugindo à pé. O Sargento Dias desceu da viatura em que estava e começou a perseguição também à pé.

Em determinado momento, os dois homens gritaram ‘perdeu’ para o Sargento, segundo informações da Major. Inicialmente, deram a entender que iriam se entregar mas, em seguida, um deles - posteriormente identificado como Welbert - saca uma arma e faz quatro disparos. Três deles atingem o Sargento, sendo dois na cabeça.

Welbert continuou fugindo e foi perseguido por outras guarnições. Ele foi atingido por um disparo de arma de fogo na perna e capturado. Foi socorrido ao Hospital Risoleta Neves, onde foi atendido.

O segundo autor, Geovanni, conseguiu fugir. A Polícia Militar foi, inicialmente, a uma casa onde ele estaria. No local, foram apreendidos um colete, munições e drogas. No entanto, ele não estava no local. Após denúncias da população, Geovanni foi localizado pela polícia na laje de um imóvel na divisa dos bairros Aarão Reis e Tupi. Segundo a Major Layla, era um local muito escuro e ermo.

Cercado pela polícia, Geovanni disparou duas vezes contra os militares do Batalhão de Choque e fugiu para uma mata. Os policiais fizeram um cerco à mata e foram auxiliados pelos cães da Rocca. Os cães conseguiram localizar o homem em meio a um chiqueiro, enlameado. Ele foi preso e tinha alguns machucados em razão da fuga dos cães e também por ter trocado tiros com a PM e sido atingido por disparos de raspão.

Veja imagens da perseguição e a entrevista da Major ao Itatiaia Patrulha deste sábado (6):

‘Saidinha’ e condicional

A Major Layla Brunella também confirmou que Welbert, suspeito de balear o Sargento Dias, estava foragido após ser beneficiado por saída temporária do presídio. Segundo a Major, ele deveria ter retornado no dia 23/12/2023, mas não o fez. Neste sábado, a Itatiaia mostrou que o Ministério Público foi contra a concessão de saída temporária a ele.

Welbert tem 18 boletins de ocorrência registrados em seu nome, por crimes como roubo, ameaça e tráfico de drogas.

Ainda segundo a Major, assim como Welbert outros 118 presos que tiveram direito à saída temporária no fim do ano de 2023 não retornaram aos estabelecimentos prisionais. Até agora, 45 deles foram recapturados pela Polícia Militar e 73 seguem foragidos.

A Itatiaia solicitou dados sobre as saídas temporárias à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que afirmou que ainda não tem o número de detentos que não retornaram para os presídios em Minas Gerais. Sobre o caso envolvendo o policial, a Sejusp ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto à manifestação.

Geovanni estava em liberdade condicional e tem 15 passagens pela Polícia.

Estado de saúde

O Sargento Dias passou por duas cirurgias assim que foi socorrido ao Hospital João XXIII - uma para conter a pressão intracraniana e outra para conter o sangramento na perna, pois a bala atingiu uma artéria. A Major Layla explica que o caso é gravíssimo e que já foram iniciados procedimentos que permitem avaliar se é caso de morte cerebral.

A família do Sargento está sendo atendida pela corporação. Duas psicólogas acompanham a família e também os policiais militares que estavam na ação com o policial, estão todos abalados. Uma comissão apoia a esposa e a filha do policial, que tem apenas 5 meses.

Coordenadora de jornalismo digital na Itatiaia. Jornalista formada pela UFMG, tem mestrado profissional em comunicação digital na Sorbonne, em Paris.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
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