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Técnico mineiro investigado por racismo é denunciado; MP pede indenização de R$ 150 mil

Treinador de time de handebol em Pompéu enviou áudio com xingamento racista para adversário de Sete Lagoas; profissional também teria ameaçado a técnica e outros jogadores adversários

A Associação Esporte Solidário Gustavo Elias (Aesge), de Pompéu (MG), e o treinador do time de handebol da associação foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nesta quinta-feira (27) por conta do áudio com xingamento racista enviado pelo técnico para um jogador adversário durante os Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), em julho.

Francisco Júnior Corrêa Mota foi investigado e indiciado pela Polícia Civil por conta de uma gravação enviada para um jogador do time de Sete Lagoas, que também disputava o torneio de handebol organizado pelo Governo de Minas. Na gravação, o treinador usa um xingamento racista e também ofende a cidade natal do jovem. Ouça:

A denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça de Pompéu classifica o áudio como “racista, aporofóbico e gordofóbico”. O promotor de Justiça Guilherme Ferreira Hack acusa o treinador de ter praticado injúria racial (equiparado ao racismo), crime agravado por ter sido cometido em ambiente esportivo e recreativo. O promotor também cita os crimes de coação e constrangimento ilegal.

De acordo com a denúncia, houve tentativas de intervir na investigação. Um dia após o áudio ser enviado, o treinador teria ido até o alojamento da equipe de Sete Lagoas e ameaçado a treinadora da equipe para que não prestasse depoimento sobre o assunto. Francisco também teria entrado no alojamento e ameaçado professores e alunos de Sete Lagoas a não denunciarem o caso.

Pedido de indenização

Na denúncia, o MPMG pede uma indenização de R$ 150 mil por danos morais coletivos e a dissolução da Aesge (que já havia sido pedida em outra ação do Ministério Público). O promotor também pediu que fosse definida uma indenização mínima de R$ 40 mil para cada vítima, o bloqueio da quantia nas contas do treinador e também a suspensão da conta da Aesge no Instagram.

Em nota, os advogados Paulino Gontijo, Alexandre Simão e Leonardo Gontijo, que representam o treinador, informaram que, “no processo judicial, terão a oportunidade de demonstrar que os fatos não ocorreram da forma como foram colocados e a verdadeira intenção do denunciado no episódio.” De acordo com a defesa, Francisco não é mais presidente da Associação.

A Itatiaia tenta contato com a defesa da Aesge.

Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
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