Revolta, cansaço e falta de informação marcaram a manhã de cantineiras que prestam serviço em escolas públicas de Belo Horizonte e enfrentaram uma fila quilométrica na região da Praça 7, no Centro, neste sábado, para realizar exames admissionais após a troca da empresa responsável pelo contrato. Cerca de 1.700 trabalhadoras precisam passar pelo procedimento para continuar nas funções, mas muitas relatam que foram chamadas sem orientação clara sobre horários e sobre como ficará a situação do vínculo com a empresa atual.
“A gente tá largado, solto, porque a MGS não dá esclarecimento nenhum. Mandaram a gente vir aqui hoje pra garantir a vaga na escola, mas ao mesmo tempo falam que a gente ainda é funcionário da MGS”, disse a cantineira Andréia Alves Gomes, de 45 anos. Segundo ele, os trabalhadores estão fazendo exame admissional para a nova empresa mesmo sem terem sido formalmente desligados da atual. “A gente veio fazer o exame sem romper o contrato com a MGS e ninguém explica o que vai acontecer com a gente”, afirmou.
A situação também preocupa outras funcionárias que aguardam atendimento. Margarete Campolina de Paula, de 52 anos, afirma que os trabalhadores estão na fila sem saber detalhes sobre salário ou condições de trabalho. “A gente não sabe de nada, nem quanto vamos ganhar. Estamos aqui numa fila humilhante num sábado, que era pra ser dia de folga”, reclamou.
Alguns trabalhadores relatam cansaço e ansiedade após horas de espera. Denise Curvelo, de 53 anos, contou que chegou pela manhã e não recebeu orientações. “É uma pouca vergonha. A gente fica aqui sem saber o que está acontecendo. Eu estou até passando mal de ansiedade”, disse.
A trabalhadora Francisca Oliveira também critica a falta de clareza sobre o vínculo empregatício. “Nós estamos indo fazer exame para outra empresa, mas a MGS ainda não deu baixa na nossa carteira. Falaram que na segunda-feira já vamos trabalhar para outra empresa, mas ninguém explica como vai ficar”, relatou.
Segundo o sindicato que acompanha o caso, a grande fila foi provocada por falha de comunicação na convocação dos trabalhadores. O atendimento teria sido organizado por regionais da cidade, mas muitos funcionários receberam apenas a informação de que os exames ocorreriam entre 7h e 19h, o que levou grande parte a comparecer no mesmo horário.
De acordo com Daniel Wardil, representante sindical que acompanha os trabalhadores no local, parte dos funcionários deveria ter ido em horários diferentes. “O atendimento foi organizado por regional, mas vários trabalhadores não receberam o horário correto. Muita gente recebeu só a informação de que era de 7h às 19h e veio de manhã, o que acabou gerando essa fila gigantesca”, explicou.
Ele afirma que o sindicato tenta ajudar a organizar o atendimento e dar apoio aos trabalhadores. “Tem gente cansada, gente que precisa tomar remédio. Estamos tentando ajudar, pedir prioridade para alguns casos e até abrir o sindicato aqui perto para que as pessoas tenham acesso a banheiro e água”, disse.
Daniel também pediu que os trabalhadores tentem respeitar os horários informados para evitar mais tumulto. “A orientação é que cada um venha no horário indicado. Vamos garantir que todo mundo seja atendido. Se não for hoje, será em outro dia. Ninguém vai perder o emprego por causa desse exame médico”, afirmou.
O outro lado
A Secretaria Municipal de Educação informou, por meio de nota, que a empresa contratada para a prestação de serviços nas escolas da rede municipal está realizando, neste fim de semana, um mutirão de exames admissionais para agilizar o processo de contratação dos profissionais que prestavam serviços nas unidades por meio da MGS.
“A empresa responsável informou que os atrasos registrados no início do atendimento ocorreram porque algumas profissionais agendadas para o período da tarde compareceram no horário das 7h, o que gerou acúmulo de trabalho para os dez médicos mobilizados no mutirão. Ao longo do dia, a expectativa é de que a demanda se equilibre”, disse.