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Biomédica investigada por erros médicos em cirurgias tem licença suspensa pela Justiça

Lorena Marcondes de Faria também deve ter as redes sociais e bens bancários bloqueados; profissional de biomedicina é investigada em inquérito sobre morte de mulher em Divinópolis (MG)

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu, nesta sexta-feira (30), a licença da biomédica Lorena Marcondes de Faria, investigada por erros médicos em cirurgias em Divinópolis, no Centro-Oeste do Estado. Um dos casos envolve a morte de Íris Doroteia Martins, que faria uma lipo com a profissional de biomedicina.

De acordo com a decisão, Lorena Marcondes de Faria não poderá atender clientes até a Justiça emitir alguma decisão contrária ou a biomédica for julgada no caso envolvendo a morte da paciente de Divinópolis. Os Conselhos Regionais e Federais de Medicina devem dar informações à Justiça em até 10 dias.

Além disso, a liminar determinou o bloqueio de todas as redes sociais de Lorena e de sua clínica e determinou que ela não publique, divulgue ou compartilhe qualquer informação relacionada ao exercício da biomedicina ou aos processos no qual está envolvida. Instagram, Facebook e Twitter devem bloquear os perfis da profissional em até 48 horas.

Por fim, a liminar determina o bloqueio dos bens depositados nas contas bancárias de Lorena Marcondes, até o limite de R$ 100 mil. O valor fixado pode ser usado para “assegurar a indenização da vítima”.

Em nota, os advogados Tiago Lenoir e Daniela Tonholi, que representam a biomédica Lorena Marcondes, informaram que sua cliente não foi intimada e, por isso, só vai se manifestar em momento oportuno, ao longo do processo. Eles afirmam que irão recorrer da decisão para “garantir os direitos constitucionais que estão sendo gravemente violados”.

“Ressaltamos que a produção de provas permitirá a elucidação dos fatos adequadamente permitindo que a Justiça seja feita.”

Denúncia da Itatiaia

A liminar foi emitida 15 dias após a Itatiaia denunciar que Lorena Marcondes continuava ofertando lipoaspiração após ser beneficiada por um habeas corpus. A prática é proibida, já que apenas médicos podem fazer cirurgias deste porte, segundo o Conselho Regional de Biomedicina e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Relembre o caso

Irís Dorotéia do Nascimento Martins, de 46 anos, morreu no dia 8 de maio durante um procedimento estético em uma clínica de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. A responsável pela operação foi a biomédica Lorena Marcondes de Faria. Íris teria pago R$ 12 mil para realizar a lipoescultura. A vítima sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e precisou ser levada para o Hospital São João de Deus, onde morreu horas depois.

Segundo a Polícia Civil, essa cirurgia só pode ser feita com a presença de um médico e de um anestesiologista. A clínica não possuía equipamentos básicos, como monitor cardíaco, e o laser que seria usado no procedimento não tinha chegado no local no momento em que a cirurgia começou.

A profissional e a enfermeira que a auxiliava nas cirurgias foram presas preventivamente após o caso, mas foram beneficiadas com um habeas corpus e estão em prisão domiciliar. Lorena também é citada em três processos na Justiça por erro médico. Um deles envolve um modelo que teria ficado com a boca deformada após passar um procedimento estético com a mesma profissional em Divinópolis (MG).

Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
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