A família do motorista de ônibus Fernando Roberto de Souza, de 42 anos, clama por Justiça e rebate a alegação de que o trabalhador ameaçava a ex-companheira e o atual marido dela, o soldado da Polícia Militar (PM) José Irineu, autor confesso do crime. Chorando, a diarista Sandra Aparecida de Morais, irmã da vítima, disse à Itatiaia que o irmão amava o filho que teve com a ex e que nunca ameaçou ninguém. A criança, de 10 anos, está em choque.
“Meu sobrinho está em estado de choque, porque gostava demais do pai dele. O filho era tudo para ele, que pagava escola particular e não deixava faltar nada”, diz a mulher, que lembra como era a vítima, que é será enterrada às 15h30 no cemitério da cidade.
“Fernando era um homem nascido e criado na roça, perto de Bonfim. Era um menino muito bom, coração muito bom, muito amoroso, muito trabalhador. Não tinha vício com nada, nem com bebida e nem com fumo. Não tinha inimizades, nunca brigou com ninguém”, disse a diarista. “Ele tirava da boca dele para dá para os outros”, completou.
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De acordo com Sandra, Fernando e a ex-mulher viveram juntos por 15 anos e tiveram um filho, hoje com 10. “Depois, o relacionamento não deu certo e ele aceitou numa boa. Eles combinaram de ele sair de casa e de ela ficar com o menino”, contou. “O filho ficava pedindo para morar com ele. Não queria morar com o padrasto. Todo final de semana que ele pegava o menino, ele falava: ‘papai, quero morar com você’”, acrescentou.
A diarista ressalta que o irmão não tinha inimigos, não fumava e nem bebia, além se querido por todos. “Nada justifica esse policial ter tirado a vida dele. Ele não ameaçava ninguém. Era uma pessoa muito boa. Se ele se sentiu ameaçado, ele tinha que ter procurado era a polícia. Não era ter tirado a vida do meu irmão.
O soldado teve a prisão em flagrante ratificada pela Polícia Civil.
Sandra diz que o irmão seguiu a vida dele e que estava em outro relacionamento. “Ele aceitou tudo numa boa, foi revolver a vida dele e arrumou outra namorada, uma pessoa muito e que estava fazendo ele muito feliz”, diz.
Outra versão
A versão da irmã de Fernando vai contra o soldado alega. No boletim de ocorrência, o militar disse que vinha sofrendo ameaças e perseguição por parte da vítima, que não aceitaria o fim do relacionamento. A reportagem da Itatiaia apurou, no entanto, que Fernando tem apenas ocorrências policiais relacionadas a acidentes de trânsito
Em entrevista à Itatiaia, o advogado de defesa dele, Berlinque Cantelmo, também alegou a mesma situação.
“O pouco que nós conseguimos extrair da versão do militar é que, de fato, eles vinham sofrendo uma série de transtornos e constrangimentos por parte da suposta vítima em decorrência de não aceitar o fim do relacionamento conjugal com a atual esposa do militar, que é ex-esposa da suposta vítima nesse momento. Temos várias testemunhais que levam a efeito que, de fato, ela vinha sofrendo uma série de ameaças e constrangimentos”, disse o advogado.
Entenda
Fernando Roberto de Souza, de 42 anos, foi assassinado a tiros pelo soldado José Irineu, de 36 anos, nessa quinta-feira (15) dentro do ônibus dirigido por ele no trabalho. Fernando é ex-marido da atual esposa do militar.
O assassinato, cometido em plena luz do dia na avenida Nossa Senhora Belo Ramo, bairro Bela Vista, local muito movimentado, chocou moradores de Brumadinho que acompanharam os trabalhos da perícia no local do crime.
“Era muito gente boa e muito bacana. A gente sabe que ele estava separado já há um tempo, estava namorando outra pessoa, mas exatamente o que aconteceu ninguém sabe. Só falou que tinha separado e que estava tentando levar a vida dele”, disse uma moradora. “Provavelmente, ele estava pegando serviço (na hora do crime ), porque não é normal ele parar nesse local. Na hora que ele está fazendo a linha dele, não é normal ele parar aqui não. Provavelmente, ele estava fazendo a troca pra pegar o forno de trabalho dele”, disse uma moradora que não será identificada.
Conforme o boletim de ocorrência, foi o próprio soldado que acionou a PM, relatou o que tinha ocorrido e se apresentou em seguida na Delegacia de Polícia Civil da cidade.
BO
O boletim de ocorrência informa que o soldado entregou um revólver calibre 38, com cinco munições deflagradas e um bolsa com seis intactas. À polícia, o militar disse que vinha sofrendo ameaças e perseguição por parte da vítima. Nessa quinta-feira (15), ele embarcou em um mototáxi e seguiu o ônibus dirigido por Fernando.
“No local dos fatos, pediu o motociclista para parar o veículo e efetuou os disparos, evadindo em seguida em um veículo Fiesta que estava parado com as portas abertas próximo do local com as chaves na ignição e foi diretamente para a delegacia de brumadinho se entregar juntamente com a arma do crime e que não iria dar mais nenhuma informação sobre os fatos, usando de seu direito constitucional de permanecer em silêncio”, descreve trecho do boletim de ocorrência.
A Itatiaia aguarda posicionamento da Polícia Militar sobre o caso.