Carnaval de BH: o que funciona e o que precisa mudar sob o olhar do folião?

Entre críticas e elogios, foliões opinaram sobre estrutura dos blocos de rua em BH

Bloco Mama na Vaca desfila no bairro Santo Antônio, em BH

O tradicional bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi palco de mais um desfile do Mama na Vaca na manhã deste sábado (7). O bloco, que nasceu em 2011 de um encontro despretensioso entre amigos, preserva até hoje uma atmosfera de festa de vizinhança, onde famílias inteiras compartilham o asfalto com fantasias de malha de vaca e muita purpurina.

Em meio às marchinhas que embalam o trajeto da Praça Cairo até a Rua Leopoldina, o público aproveitou para avaliar os acertos e os gargalos da estrutura carnavalesca da capital mineira em 2026.

Um dos pontos mais elogiados pelos foliões foi a acessibilidade econômica garantida pela grande quantidade de vendedores ambulantes. Para o estudante de direito João Victor de Almeida Nepomuceno, de 25 anos, a abundância de oferta é positiva por gerar concorrência e diversidade de preços.

“Quem tem menos dinheiro compra no mais barato, quem tem mais compra no mais caro. E assim ocorre quando tem diferença de preço, se tem pouco, o preço vai estar sempre alto” afirma.

Além disso, João Victor destacou a importância de manter o Carnaval como um espaço para crianças, criticando possíveis leis restritivas: “Tá cheio de criança aqui, todo mundo tá respeitando as crianças e está sendo ótimo. As crianças estão felizes e os pais também.”

Ele também fez um apelo para que a cidade valorize mais os grupos locais em vez de focar excessivamente em cantores famosos, preservando o espírito da tradição que deu origem à folia em Belo Horizonte.

Por outro lado, o crescimento acelerado da festa trouxe desafios logísticos que geram reclamações recorrentes. O engenheiro eletricista Juno Barbosa, de 46 anos, apontou que a infraestrutura urbana não parece acompanhar o volume de pessoas que a cidade recebe atualmente. O principal problema citado foi a escassez de banheiros químicos.

“Falta banheiro no carnaval de BH, mas eu acho que o carnaval cresceu muito e ninguém espera. Em todos os anos a gente se assusta porque não era assim. Mas isso é bom porque a cidade tá recebendo mais gente, mas para quem tá acostumado a vir assim, acabou um pouco da infraestrutura, principalmente para mulher” concluiu.

Mesmo entre críticas sobre a dificuldade de falhas estruturais, o sentimento de fidelidade e a paixão pelo Carnaval de rua de BH continua movendo os foliões ano após ano.

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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

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